Com a frente fria que derrubou a temperatura em Mato Grosso do Sul nos últimos dias, antigo hábito que anda meio esquecido pelas novas gerações é relembrado em várias famílias. Tomar mate, ou chimarrão, é muito comum no ambiente rural e ganha força até na cidade com o friozinho.

A bebida, igual a um tereré, mas com água quente, foi herdada com a chegada de paraguaios e sulistas logo após a Guerra contra o Paraguai. Quem já tem como hábito tomar chimarrão, tenta ensinar os mais novos a combater o frio com a infusão de erva-mate em água fervente.

“Tomo muito quando faz esse frio”, afirma a gaúcha Betina Ferreira, de 24 anos. No caso dela, o hábito vem da região de origem. Há dois anos e meio em Campo Grande, ela não abre mão do hábito sulista, e comemora o frio temporário. “Desde criança tomo com meus pais. No Rio Grande do Sul existe uma forte influência e praticamente todo mundo toma”, acrescenta.

Nas regiões de fronteira com o Paraguai, e principalmente na zona rural, os sul-mato-grossenses também mantêm o mate vivo. Allan Rodrigues, de 21 anos, é de Campo Grande (MS) e, assim como Betina, toma chimarrão desde pequeno. “O hábito foi herdado dos meus pais e avôs”, conta o estudante.

O frio é sempre uma boa companhia na hora de tomar chimarrão, mas Allan conta que tem o costume de tomar sempre, independente do clima. “No frio a gente toma mais, sim, até acha mais fácil parceiros para tomar junto, mas tomo sempre”.

Mais perto do marido

Para dona Maria Moraes da Silva, 71 anos, 2h30 é a hora de esquentar água e preparar o chimarrão, rotina sagrada na casa onde vive com o marido. O horário alternativo se deve pela hora em que seu marido se prepara para ir ao trabalho e pela condição de tomar o chimarrão do dia somente na companhia do amado. “Só tomo com ele, para estar junto com ele mesmo”, comenta.

Embora hoje o hábito esteja ligado à companhia do marido, dona Maria conta que tomar chimarrão tornou-se rotina desde pequena. Natural de Campo Grande (MS), ela começou a tomar a erva-mate também pela influência de seu pai gaúcho. “Eu e meus irmãos trabalhávamos com nosso pai, sempre tomando mate. Ele tomava de manhã e a tarde”, conta. Ela é a quarta filha dos 10 irmãos e, segundo ela, todos tomam chimarrão desde pequenos.

Para ela, não tem essa de consumir mais por conta do frio. O essencial mesmo para dona Maria é criar um momento junto do marido. “Não gosto de tomar sozinha, prefiro quando ele está”, se derrete. Ela ressalta, ainda, que nem percebe a diferença entre as variações de clima e “o chimarrão é bom em todo tempo, faça chuva ou faça sol”, brinca.