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Campo Grande é terra de rock sim, prova é número de bares que já abriram focados no estilo

Nas últimas três décadas pelo menos uns quarenta bares abriram as portas em Campo Grande com a proposta de tocar o estilo musical mais ouvido do mundo: o rock’n’roll. Farol, Stones Blues Bar, Fim do Século, Boteco, Acoustic Bar, Voodoo, Chácaras Bar, Repúblika, Usina, Fly, Grades, The Wall, Refúgio, Grades, Barzim, Lenda’s Pub…São alguns dos […]

Arquivo Publicado em 28/01/2014, às 19h52

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Nas últimas três décadas pelo menos uns quarenta bares abriram as portas em Campo Grande com a proposta de tocar o estilo musical mais ouvido do mundo: o rock’n’roll. Farol, Stones Blues Bar, Fim do Século, Boteco, Acoustic Bar, Voodoo, Chácaras Bar, Repúblika, Usina, Fly, Grades, The Wall, Refúgio, Grades, Barzim, Lenda’s Pub…São alguns dos tantos nomes que foram lembrados pelos ‘roqueiros’ da cidade.

Apesar de a memória da galera não falhar e pontuar que muitos lugares marcaram época é ponto comum entre todos que é difícil empreender em Campo Grande. Ainda mais quando o som é rock’n’roll. O problema, segundo os próprios consumidores, e músicos, é que a galera não quer gastar para ouvir o som, festejado por eles mesmos.

Assim como pontuamos na matéria “Quanto vale o show? Empresários criam couvert democrático, paga quem quer”, o problema é a pão durice do público que não quer abrir a mão e prestigiar os músicos da cidade. Com isso, fica difícil manter os artistas na casa e fazer o negócio alavancar.

O guitarrista da banda Hollywood Cowboys, Caio Dutra, é radical quando o assunto é prestigiar as bandas locais. “Acredito que um dos grandes problemas é o público, que não quer gastar pra curtir em um lugar legal. Se cobra 10 reais pra ver duas ou três bandas locais, a galera já acha caro”, critica.

A opinião dele é compartilhada pelo músico e editor de imagens Hugo Carneiro. Há 17 anos na estrada com a banda Haiwanna, ele acredita que falta aos campo-grandenses valorizar o que é daqui para as coisas darem certo. “Acho que as pessoas têm ideias demais e as usam na prática de menos. Me desculpem amigos mas a galera sofre a síndrome de vira-latas. Qualquer coisa que vem de fora idolatra. Não prestigiam o esporte local, não apoiam a cultura local”, explana.

O também músico e publicitário, Joaquim Seabra, que já tocou em várias bandas como “Os Impossíveis”, “Joaquim Seabra e a Orquestra Maravilhosa”, entre outras, lembra que os problemas vão além do reconhecimento do público. Para ele, os próprios músicos e a imprensa também precisa se profissionalizar.

Entre os problemas citados por ele estão: valorização do público, profissionalismo do músico (release bem feito, registro dos shows) e um caderno cultural que acompanhe os shows e eventos nos fins de semana.

Diversidade

Outro ponto citado é a falta de diversidade e concorrência entre os bares. Para Humberto Marques, editor de política, “a possibilidade de um bar ‘concorrer’ com o outro e gerar opções que, antes de mais nada, caibam no bolso” ajudaria em muito a movimentar a cena rock na cidade.

Ele lembra, que quando adolescente, frequentava o Stones, mas chegou uma hora que cansou. “Batia cartão todo o fim de semana, raramente ia ao Fly que, na época, tinha um público diferenciado (era mais metal). Chega uma hora que cansa. O Usina, que tentou substituir o Stones, tinha outra proposta (…) Não adianta falar em ter apenas um bar… Campo-grandense gosta de novidade, e às vezes vive apenas dessa novidade até enjoar. Então, além de ter opções no rock, as mesmas precisariam se renovar, investir em atrações diferenciadas e trazer shows que interessassem – o Velhas sempre lotava e quebrava tudo”, recorda.

Shows memoráveis

Muitos foram os shows que marcaram os trintões de hoje. O Stones Blues Bar que costumava trazer bandas cover lotava a casa. Led Zepellin, Legião Urbana, Iron Maiden, The Doors…E muitas outras bandas fizeram o chão do bar tremer.

Sem dizer, que o bar foi palco de encontro de artistas e roqueiros que passaram por aqui. O economista Áureo Torres lembra que foi inesquecível o dia que Chorão tocou no bar. “Realmente este dia no Stones foi marcante. Ninguém esperava e ver o Charlie Brown com os falecidos Chorão e Champion a três metros de distancia foi inesquecível”.

Empresários

Nilson Oliveira Jr. que por quase cinco anos esteve a frente de um dos bares mais tradicionais de rock da cidade, o Bar Fly, conta que não é fácil empreender o rock na cidade Morena. Há quase três anos afastado das atividades do bar, ele revela que “falta apoio financeiro e patrocínio” para fazer a cena efervescer. “Tudo que é feito é com o próprio bolso. Quando se consegue apoio é mínimo”, pontua.

Mudanças

Apesar de pontuarem os problemas, eles lembram que muita coisa tem mudado. Tanto que nos últimos anos os bares têm conseguido se manterem abertos por mais tempo. O jornalista Alan F. De Brito pontua que nos últimos anos os bares têm fechado menos as portas em Campão. “Não só bares temáticos como os barzinhos comuns, por assim dizer. Acredito que o aumento do poder de compra dos últimos anos e a diversificação tem sua contribuição para que os empresários se mantenham. Outra coisa é o planejamento em investimento que tem sido maior. De qualquer maneira, o público do rock é ‘rebelde’ até com quem o quer recepcionar bem”, diz sobre a falta do prestigio de quem mais reclama para ouvir um som.

Jornal Midiamax