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Campeão apresenta a categoria que “recicla” carros da F1

O que acontece com os carros da Fórmula 1 depois que termina uma temporada? Alguns são reutilizados nos anos seguintes, às vezes por equipes menores. Outros vão parar nas mãos de colecionadores ou de museus, e não raro aparecem em festivais pelo mundo. No entanto, há quem aproveite os “seminovos” da F1 para correr por […]

Arquivo Publicado em 07/03/2014, às 14h54

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O que acontece com os carros da Fórmula 1 depois que termina uma temporada? Alguns são reutilizados nos anos seguintes, às vezes por equipes menores. Outros vão parar nas mãos de colecionadores ou de museus, e não raro aparecem em festivais pelo mundo. No entanto, há quem aproveite os “seminovos” da F1 para correr por aí, dando sobrevida aos bólidos e esperança a pilotos que não emplacaram na carreira.


Esta é a missão da Boss Series, categoria criada na Europa em 1995 e que utiliza carros usados de categorias como Fórmula 1, GP2, Fórmula Indy e Fórmula 3000 (extinta). Batizada em referência aos monopostos que utiliza (“Big Open Single Seaters”, ou “grandes monopostos abertos”), a categoria não conta com nomes conhecidos, mas tem o aval da FIA e atrai torcedores que querem ver de volta máquinas de equipes como Benetton, Jordan, BAR, Minardi e outros times da F1.


Depois de correr seus primeiros anos apenas no Reino Unido, a Boss Series se expandiu e ganhou outros países e continentes. Em quase 20 anos, a disputa chegou a países como Estados Unidos e Austrália, que realizam campeonatos próprios – respectivamente, a USBoss e a OzBoss. Em cada prova, carros de diversas categorias dividem o grid – embora os pilotos sejam divididos por classe mediante a origem dos carros, a competição se nivela pela idade de cada modelo.


É o que garante quem já competiu com sucesso pela Boss Series. “Um carro antigo de F1 tem um tempo de volta similar ao de carros modernos da GP2”, assegura o britânico Scott Mansell, campeão da Boss Series em 2004, em entrevista por e-mail ao Terra. O britânico, com passagem pela Indy Lights (e que não tem nenhum parentesco com Nigel Mansell), destaca o baixo custo da competição como um atrativo para jovens pilotos que desejam continuar correndo, embora sem opções em categorias como Fórmula 3, GP3, Fórmula BMW ou Fórmula Renault.


“Ninguém é pago para correr na Boss Series, então não há profissionais – mas você pode dizer o mesmo sobre a maioria dos pilotos do BTCC (Campeonato Britânico de Carros de Turismo), do FIA GT, da Le Mans Series e da F1. Atualmente, há muitos pilotos amadores ou pagantes em diversos níveis do esporte a motor – até mesmo no nível mais alto”, afirma, em referência clara aos pilotos pagantes no grid da Fórmula 1.


OK, mas vamos à categoria. Para os fãs da Fórmula 1 que ouvem os motores V6 com ares de decepção, a boa notícia: os carros da categoria na Boss Series correm como motores V8 e V10. Entre os carros de Fórmula Indy e GP2, os motores são V8. Já entre os carros de Fórmula 3000 e World Series, são V6. E como equilibrar tudo isso? Fácil: é só dividir os carros de grid em três classes simultâneas, que determina vencedores em uma mesma corrida.


Foram tais atrativos que levaram Scott Mansell à Boss Series em 2004. Sem conseguir abrir as portas das categorias de acesso da Europa, o britânico levantou fundos suficientes para disputar a Boss Series com uma Benetton B197, carro utilizado por Jean Alesi, Gerhard Berger e Alexander Wurz na temporada 1997 da F1. Resultado: Mansell foi campeão da categoria. Com isso, foi indicado ao Prêmio McLaren/Autosport do Clube Britânico de Pilotos (BRDC), perdendo a categoria jovem piloto para o escocês Paul di Resta.


A temporada, no entanto, abriu a Mansell algumas portas. Na Fórmula 1, conversou com equipes como Toyota e BAR, mas sem evoluções nos diálogos. Na Fórmula 3000, chegou a realizar trabalhos com a equipe Arden (então encabeçada por Christian Horner, atual chefe de equipe da Red Bull na F1). Não deslanchou, mas se manteve sempre no radar de outras categorias – passou pela Indy Lights entre 2005 e 2006, além de disputar a extinta Fórmula Superliga em 2009.


Mesmo pouco conhecida no Brasil, a Boss Series surge como uma alternativa a jovens pilotos que não emplacam nas categorias internacionais de monopostos no caminho à Fórmula 1, ao mesmo tempo em que abriga veteranos que perdem mercado no exterior – situação semelhante à da Stock Car no Brasil. Com custos baixos, equipes reduzidas e carros com muita história, a categoria consegue atrair pilotos e torcedores a circuitos como Hockenheim (Alemanha), Mugello (Itália), Zolder (Bélgica) e Zandvoort (Holanda). O Mansell menos famoso agradece.

Jornal Midiamax