Caminhões russos com ajuda humanitária entram na Ucrânia

Os primeiros caminhões do comboio humanitário russo atravessaram nesta sexta-feira (22) a fronteira ucraniana e alcançaram a zona de trânsito alfandegária. Os primeiros 20 caminhões a atravessarem a fronteira foram acompanhados de rebeldes pró-Rússia. Dos quase 300 caminhões que integram o comboio, quase 100 haviam atravessado a fronteira às 9h30 GMT (6h30 de Brasília), segundo […]
| 22/08/2014
- 15:29
Caminhões russos com ajuda humanitária entram na Ucrânia

Os primeiros caminhões do comboio humanitário russo atravessaram nesta sexta-feira (22) a fronteira ucraniana e alcançaram a zona de trânsito alfandegária.

Os primeiros 20 caminhões a atravessarem a fronteira foram acompanhados de rebeldes pró-Rússia.

Dos quase 300 caminhões que integram o comboio, quase 100 haviam atravessado a fronteira às 9h30 GMT (6h30 de Brasília), segundo Paul Ricard, observador da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Ele disse que apenas 34 passaram por uma inspeção entre quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, mas que a carga dos demais não foi inspecionada.

Moscou havia anunciado alguns minutos a decisão de enviar para Lugansk, leste da Ucrânia, o comboio, que estava estacionado perto da fronteira há mais de uma semana, por considerar que todos os “pretextos” para novos adiamentos haviam se esgotado.

“Todos os pretextos destinados a retardar a entrega de ajuda às zonas em situação de catástrofe humanitária se esgotaram. A Rússia decidiu agir. Nosso comboio com ajuda humanitária está seguindo para Lugansk”, afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores, segundo a France Presse.

‘Invasão’

Autoridades ucranianas disseram nesta sexta que o fato representa uma “invasão direta” pela Rússia.

“Eles entraram na Ucrânia sem autorização ou participação da Cruz Vermelha Internacional ou dos guardas de fronteira (ucranianos)”, disse o porta-voz militar Andriy Lysenko a jornalistas.

“Consideramos isso uma invasão direta da Ucrânia pela Rússia”, disse o chefe de segurança nacional ucraniano, Valentyn Nalivaychenko, em uma declaração separada a jornalistas.

Apesar disso, Nalivaychenko disse que a Ucrânia quer evitar qualquer “provocação” e não atacará o comboio.

“A Ucrânia vai coordenador com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para que nós, Ucrânia, não estejamos envolvidos em (acusações de) provocações de que nós estamos impedindo ou usando força contra os veículos da chamada ajuda”, disse.

Questionado se a Ucrânia poderia usar ataques aéreos contra o comboio de caminhões que está dentro de território ucraniano controlado pelos rebeldes separatistas, Nalivaychenko disse: “Contra eles, não”.

O ministério ucraniano das Relações Exteriores denunciou “as violações flagrantes do direito internacional e da inviolabilidade das fronteira” e afirmou temer “provocações deliberadas”.

“Nem a parte ucraniana nem a Cruz Vermelha sabem o que está dentro dos caminhões, o que nos preocupa especialmente”, afirma um comunicado. “Toda a responsabilidade da segurança desta carga está com a Rússia”, completa o ministério.

Cruz Vermelha

Os primeiros caminhões do comboio foram inspecionados na quinta-feira (21) pelos guardas de fronteira e agentes ucranianos da alfândega, um procedimento indispensável para que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) possa distribuir a ajuda à população.

Entretanto, o CICV afirmou nesta sexta que seus representantes não estão acompanhando o comboio humanitário russo que entrou no leste da Ucrânia, pois não receberam “garantias de segurança suficientes”.

“Não fazemos parte do comboio de nenhuma maneira”, disse à AFP a porta-voz do CICV Victoria Zotikova em Moscou, depois que uma pequena equipe de dirigentes do Comitê informou sobre intensos bombardeios durante a noite no reduto rebelde de Luhansk, leste da Ucrânia e para onde segue o comboio.

As autoridades ucranianas temem desde o início que o comboio, de quase 300 veículos, seja atacado pelos insurgentes e sirva de pretexto para uma intervenção russa. Kiev advertiu que a entrega da ajuda só aconteceria com “garantias”.

Moscou respondeu que “todas as garantias indispensáveis foram apresentadas” e que o itinerário previsto do comboio foi verificado pelo CICV.

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