Geral

Árbitro não relatou ofensas racistas a Tinga em súmula

As ofensas racistas ao meia Tinga na derrota de 2 a 1 do Cruzeiro para o Real Garcilaso, na quarta-feira, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, não foram incluídas na súmula pelo árbitro venezuelano José Argote. Essa foi a informação que a Conmebol repassou durante a última tarde ao presidente do Tribunal […]

Arquivo Publicado em 14/02/2014, às 13h48

None

As ofensas racistas ao meia Tinga na derrota de 2 a 1 do Cruzeiro para o Real Garcilaso, na quarta-feira, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, não foram incluídas na súmula pelo árbitro venezuelano José Argote. Essa foi a informação que a Conmebol repassou durante a última tarde ao presidente do Tribunal Disciplinar da entidade, o brasileiro Caio César Rocha.

A instauração do inquérito contra o representante peruano deve ser feita mesmo sem o relato, no entanto.

“Não vi a súmula e nem vou participar do julgamento, mas a notificação que chegou da Conmebol foi de que a arbitragem não descreveu o caso de racismo na súmula. Nessa situação, contudo, o próprio vídeo com as imagens pode ser suficiente. Não sei se de repente o juiz não percebeu os gritos durante o jogo”, afirma Caio César ao ESPN.com.br.

Ele não poderá atuar no processo devido à presença de um time brasileiro no episódio. A análise da punição ficará a cargo do uruguaio Adrián Leiza, vice-presidente do órgão. Ele será auxiliado pelo boliviano Alberto Lozada, o colombiano Orlando Morales e o chileno Carlos Tapia.

Uma comitiva formada pelo diretor Alexandre Mattos e pelo supervisor Benecy Queiroz seria mandada até a sede da Conmebol nesta sexta-feira para relatar os problemas enfrentados na passagem por Huancayo, no Peru, mas foi descartada pelo Cruzeiro após a repercussão mundial do incidente e o envio de uma representação através da CBF. A delegação celeste retornou a Belo Horizonte somente nesta quinta-feira à noite. O presidente Gilvan de Pinho Tavares, que não viajou, passou boa parte da tarde em reunião.

Mesmo que o clube não denuncie o comportamento dos torcedores do Garcilaso, o próprio tribunal pode fazê-lo por conta própria.

“Não há um processo ainda. Provavelmente, ele será instaurado por se tratar de um fato público e notório. Serão verificadas as penas passíveis de aplicação, notificar as partes, dar um prazo para que se manifestem – em torno de 72 horas – e depois das respostas, não havendo prova a ser produzida, como creio não ser o caso – o vídeo serve -, a data (do encontro) será marcada”, explica o pernambucano Caio César Rocha.

O caso deverá ser julgado em até duas semanas.

A exemplo do que aconteceu no episódio Oruro envolvendo o Corinthians em 2013, o Tribunal Disciplinar da Conmebol deliberará o assunto através de videoconferência.

A princípio, os atuais campeões brasileiros não irão fazer pressão por uma punição mais pesada ao Real Garcilaso. Na Toca da Raposa, a análise é de que a resposta tem de vir nas quatro linhas e o marketing da equipe pode ser envolvido no processo para trazer o torcedor ainda mais para o seu lado. O uniforme do clube para a Libertadores foi lançado em clima de guerra, com os atletas chegando ao local da apresentação num caminhão das Forças Armadas do Exército.

Ao longo da quinta-feira, houve a pressão por parte do Governo do Brasil para uma pena mais severa aos peruanos, com manifestação da presidente Dilma Rousseff através de sua conta no Twitter e ligação do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para o mandatário da Conmebol, Eugênio Figueiredo. Existe internamente na entidade que rege o futebol sul-americano a cobrança por uma resposta dura.

A reportagem do ESPN.com.br tentou contato com o uruguaio Adrián Leiza durante a quinta-feira, mas não teve as suas ligações atendidas.

Jornal Midiamax