Geral

Angelina Jolie declara guerra à violência sexual em zonas de conflito

A atriz norte-americana e enviada especial do alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas, Angelina Jolie, está empenhada em combater a violência sexual em zonas de conflito. Acompanhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, participou numa conferência em Londres, onde estiveram presentes representantes de mais de 120 países para falar na mel...

Arquivo Publicado em 12/06/2014, às 14h40

None
1566354870.jpg

A atriz norte-americana e enviada especial do alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas, Angelina Jolie, está empenhada em combater a violência sexual em zonas de conflito. Acompanhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, participou numa conferência em Londres, onde estiveram presentes representantes de mais de 120 países para falar na melhor estratégia de luta contra um flagelo de que são vítimas milhares de pessoas.

“Estamos aqui pela menina de nove anos no Uganda, raptada e forçada à escravidão sexual”, disse Jolie na sua intervenção na conferência Acabar com a Violência Sexual em Conflitos, esta quinta-feira, terceiro de quatro dias de encontro. “Estamos aqui por todos os sobreviventes esquecidos, escondidos, que foram levados a sentir-se envergonhados ou abandonados”, continuou a atriz, que esteve acompanhada durante os trabalhos pelo companheiro, o também ator Brad Pitt.

Jolie falou ainda em nome das “crianças da violação” e da necessidade de se ouvir as suas histórias e “compreender que esta injustiça não pode ser tolerada” e que a “tristeza e compaixão não são suficientes” para estas vítimas.

Aos governos que estiveram representados no encontro internacional a atriz disse esperar que, além de serem “forçados a agir”, queiram estar “motivados e comprometidos” em trabalhar no combate à violência sexual. Para isso, a norte-americana anunciou um manual que deverá ser seguido internacionalmente sobre como investigar estes crimes, recolher provas e levar perante a Justiça os seus autores.

William Hague, parceiro de Jolie nos últimos dois anos numa campanha contra a violência sexual, também interveio na conferência e sublinhou a importância de deixar de tratar este problema como um tabu. “Percorremos um longo caminho nos últimos dois anos para levar o mundo a falar sobre o que era um tema tabu e agora temos de passar à ação”, defendeu o chefe da diplomacia britânica perante cerca de 1.200 representantes de governos, ativistas e elementos militares, bem como vítimas.

Hague realçou ainda, em conferência de imprensa, o papel que Jolie teve para pôr este assunto na agenda do mundo e que a atriz é o “exemplo de como a diplomacia pode ser conduzida no futuro”. “Precisamos de muito mais que o governo para chegar às pessoas que dificilmente ouvem os governos e Angelina faz isso, além de ter uma grande conhecimento e paixão sobre estas questões”, acrescentou.

Os números de violação sexual são conhecidos tanto por Jolie como por Hague e foram repetidos na conferência. Nos vários anos da guerra civil na Serra Leoa, estima-se que 60 mil mulheres tenham sido violadas. Na guerra na Bósnia (1992-95) mais de 100 mil pessoas morreram e 20 mil mulheres terão sido alvo de violações. Recentemente, perto de 200 raparigas foram sequestradas na Nigéria e o seu destino está ameaçado pela escravidão sexual. Na Índia, seguem-se os casos de jovens violadas por grupos de homens e que aparecem depois mortas.

À semelhança de Jolie, Hague apelou à acção dos governos e ao público e activistas que assegurem que estão a fazer o seu trabalho. “Juntos, podemos desencadear uma onda de ações práticas pelo mundo que irá fazer uma enorme diferença para a vida dos homens, mulheres e crianças em zonas de conflito”.




Jornal Midiamax