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Servidora denuncia continuidade de desmandos no HU e diz ser ameaçada de morte

A profissional relatou ‘sessões’ de assédio moral no trabalho e até ameaças contra ela e a família. Segundo ela, os funcionários estão vivendo momentos tortuosos no HU, como na época da 'ditadura militar'

Arquivo Publicado em 22/07/2013, às 18h02

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A profissional relatou ‘sessões’ de assédio moral no trabalho e até ameaças contra ela e a família. Segundo ela, os funcionários estão vivendo momentos tortuosos no HU, como na época da ‘ditadura militar’

Servidora lotada na Divisão de Compras do Hospital Universitário de Campo Grande, Artemisia Mesquita, denunciou desmandos dentro da instituição. A profissional ainda relatou ‘sessões’ de assédio moral no trabalho e até ameaças contra ela e a família.


Artemisia usou o Facebook para relatar o que vem passando dentro do hospital (confira a íntegra do depoimento ao fim da matéria). “Estamos vivendo momentos tortuosos no NHU (Núcleo do Hospital Universitário), como na época da ditadura militar”, revelou a servidora.


De todo o relato, Artemisia destacou uma sessão de 1h45 de suposto assédio moral por parte de Mateus Moreira de Oliveira, atual Chefe de Compras do HU. Segundo ela, o chefe teria insistido várias vezes em citar as relações familiares da servidora, que se sentiu ameaça.


“Deu para sentir que minha vida estava sendo ameaçada, e a dos meus familiares”, denunciou Artemisia, citando também possíveis ameaças até contra a vida dela e do neto.


Como forma de repreensão, a servidora afirma que foi removida para a Progep (Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho), porém só de forma verbal, não tendo acesso ao documento oficial de remoção.


Operação Sangue Frio e influência


Ainda segundo Artemisia, após a Operação Sangue Frio, da Polícia Federal, que desarticulou esquema de desvio de verbas do SUS (Sistema Único de Saúde), diversos PAD’s (Processos Administrativos Disciplinares) foram abertos no HU.


Artemisia, que é citada em processos, afirma que nomearam pessoas que deveriam ser impedidas de julgar, “já que há histórico para isto”.


Sem ser ouvida no PAD, Artemisia afirma que procurou a Polícia Federal para realizar depoimento, onde prestou esclarecimentos ao delegado responsável pelo inquérito da operação.


A servidora também denunciou influência política para a nomeação do novo diretor do HU, o ortopedista Luiz Claudio Saab. A “fumaça branca” teria saído após reunião entre o vice-reitor João Ricardo Tognini e o deputado federal Luiz Carlos Mandetta (DEM).


Funcionários terceirizados da Douraser também estariam no comando do HU, mesmo não sendo investidos em cargos de confiança.


Confira o depoimento na íntegra:


“Eu, Artemísia Mesquita de Almeida, brasileira, separada judicialmente, natural de Quixadá-CE, RG 1597594, CEP 10243763387, funcionária pública federal, Matricula Siape 0433311, lotada atualmente na Divisão de Compras do Núcleo de Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossiam/UFMS, quero deixar este depoimento público que tenham acesso a ele compartilhem, pois talvez assim eu não seja nome do próximo CONFASUBRA. Eu fiz parte do grupo de pessoas que fez com que a atual Reitora Célia, fosse derrotada no segmento dos técnico-administrativos do NHU, por ocasião da eleição, com uma boa margem. Além de não concordar com a política adotada por ela, sabia que ela era favorável a EBSERH e eu serei sempre contra e participarei de qualquer coisa que impeça a implantação deste monstrengo criado pelo PT. Até greve se assim for. Agora a reitora mandou descontar 47% do nosso bruto e na época do recebimento foi em cima do líquido, e o nome do Paulo Speller do MEC que agora ataca as 30 horas e turno ininterrupto, consta como autorizando o desconto.


Infelizmente o SISTA/MS, que continua fialiado a CUT, que é braço “operário” do PT ainda acredita do PT e CUT. E tem gente que diz que não aparelha. E a política deste partido e para sua governança é fritar o servidor publico e também fazer acordos espúrios com os partidos da base governista e outros não.


Mas voltando ao dia a dia, estamos vivendo momentos tortuosos no NHU como na época da ditadura militar, se não vejamos: Por conta da Operação Sangue Fria noticiada em todo o território nacional, algumas pessoas que por ventura ocuparam cargos na gestão passada, tiveram agora seus nomes publicados no Boletim de Serviço, como rés, de vários PADs (Processo Administrativo Disciplinar), alguns chefes não foram citados, e outros citados eram gestores de contratos ou Atas. Até o presente momento não fomos chamados para depor nos tais PADs, só fui até o Departamento de Polícia Federal prestar esclarecimento ao delegado responsável pelo inquérito. Então em tese a lei diz que até prova em contrário a pessoa é inocente. Aqui não funciona assim, na comissão que irá analisar os meus casos nomearam uma pessoa que deveria informar que está impedida de julgar, já que há histórico para isto, pelo que sei mesmo avisando a Auditora Chefe isto não mudou.


Entretanto com o afastamento do ex-diretor, e após algum tempo o diretor clínico respondendo, o atual Diretor Gestor Sr. Claudio Wanderley Luz Saab, foi nomeado com influência do também médico e Deputado Federal Henrique Mandetta, inclusive há noticias que o vice-reitor Dr. João Ricardo Tognini, jantou com o deputado nos dias anteriores a indicação do Sr. Claudio. Este senhor foi nomeado em 28 de maio, e eu retornei de licença médica em 03.06.2013. Segundo informações ele perguntou se eu era de confiança pois era amiga do ex-diretor, amiga para mim, vai na casa, almoça junta ou janta, vão a eventos/festas juntos e eu sequer passei na frente da casa do ex-diretor, até a minha chefe até a quinta-feita passada que conheço desde 1997 nunca fui a casa dela. Depois este mesmo diretor perguntou se eu estava trabalhando ou fazendo fococas, quando eu publiquei que diferentemente de alguns eu não fofoco se eu tiver que falar falo na cara. Nesta postagem citei a influência do Deputado também Ortopedista na nomeação.


Na ultima quinta-feira o atual chefe da Divisão de Compras (Mateus Moreira de Oliveira) ficou 1 hora e 45 minutos praticando o famoso assédio moral, mas pior que isto, era para ele dizer que eu estaria a disposição da Pró-reitoria de Pessoal, porém isto não foi dito, porém as perguntas feitas a mim, desde mudança para o nordeste, até morar em casa da minha mãe porque moro sozinha, até de viajar com o meu neto eram estranhos e teve uma hora que eu perguntei se ele queria que fosse embora da divisão, e esta era a melhor deixa para ele dar o recado do diretor. No entanto ele respondeu que não. Porém nesta conversa ficou patente que o fato de eu morar sozinha, era um perigo, que eu deveria ir para outro estado no nordeste, que eu tenho um neto e família, aí sim deu para sentir que a minha vida estava sendo ameaçada e da dos meus familiares. Só faltou pedir para eu aposentar. Disse claramente que a falta de plantão não iria me prejudicar, pois não pago aluguel, e diversas outras coisas, os assuntos que incluem outra servidora não irei colocar aqui por uma questão privacidade. Na manha seguinte ele me disse finalmente que o diretor me colocou a disposição da PROGEP, e eu tentei saber do documento, mas não tive acesso a ela até às 11h e tarde teve assembleia, que compareci. Portanto até o presente momento não fui comunicada oficialmente.


Quero entender e acreditar que apesar de na Reitoria ter pessoas que já ameaçaram outro servidor, o Deputado, a Reitora, o Vice-Reitor e seus assessores e o Diretor do NHU, não tenham a intenção nem de dar cabo na minha vida, ou em de qualquer um dos meus familiares. E se a pessoa escolhida para me dar a notícia da minha remoção não foi a mais indicada problema para o diretor resolver, pois já que ele levou para direção vários servidores terceirizados todos contratados pela Douraser, e que inclusive com aval da Auditora Interna da UFMS, três pessoas contratadas pela Douraser, portanto não são gerentes do NHU, não são assessores investidos de cargo de confiança, que podem vir a ser por conta da EBSERH, estão formando uma comissão que estão negociando com as empresas que em alguns casos desde janeiro/fevereiro não recebem pelos serviços prestados o que contraria a lei. E interessantemente uma contadora de nome Eliane é quem digita as atas e não coloca o nome dela e nem assina, e é assinada pelo Diretor que não está presente a reunião e os outros dois assessores contratados pela Douraser, os Srs. Paulo Cesar Pereira da Silva, que parece ser juiz aposentado, porém aceita trabalhar pelo salário de R$ 5.000,00, acredito que por altruísmo e Ivan Jorge Cordeiro da Silva, que pelas informações trabalhou na Enersul, na Sesau e na Santa Casa. Não posso afirmar, pois não tive acesso aos currículos entregues na Douraser, apesar do processo passar na sala de trabalho onde fico, não procurei ver. Mas a decisão é que a empresa deve dar descontos, porém em uma reunião eu escutei o Sr. Ivan dizer ao empresário que ele ou dava o desconto ou então a empresa dele seria a ultima a receber.


Quere reafirmar que nem eu e nem uma outra servidora aceitamos o fato de obedecer ordens de terceirizados que não estão investidos em cargo de confiança, a funcionária da Douraser a Contadora Eliane, que sequer sabia quem fiscalizava o serviço público federal, pensava ser o TCE, queria a senha do SIAFI e SIASG, que não foi fornecido para ela.


Na minha oitiva na Policia Federal eu falei para o delegado que quando terminasse a Operação Sangue Frio teria que começar a “Osso Duro”. E eu sempre disse na minha sala que caso o Diretor me colocasse a disposição eu iria ao programa do Picarelli e levaria mais alguns comigo. Não fui ao SBT, nem aos veículos de comunicação WWW.midiamax.com.br, nem ao WWW.campogrande.news.com.br, nem a TV MORENA. Porém estou disponibilizando isto porque além de não aceitar ameaça de ninguém contra a minha vida, menos ainda aos membros da minha família e coloquei todos na mão de Deus que é maior que qualquer bandido que se preze.
A frase que “eu deveria viajar com o meu neto” foi de uma violência sem par.


Peço desculpas a minha família por saberem disto junto com todos vocês, e esperei dois telefonemas para evitar isto, mas o senso de sobrevivência e de qualquer um da minha família falou mais alto.”

Jornal Midiamax