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Produtores de Itaporã amargam prejuízo com ‘elefante branco’ de irrigação

Um mega projeto de irrigação, que beneficiaria centenas de famílias, está parado há mais de 10 anos e destruído pelo tempo. O distrito de Santa Terezinha, em Itaporã, foi do céu ao inferno em pouco tempo. Durante três anos, várias pessoas trabalharam na construção do desvio das águas do Rio Brilhante, na obra dos reservatórios, […]

Arquivo Publicado em 25/01/2013, às 12h29

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Um mega projeto de irrigação, que beneficiaria centenas de famílias, está parado há mais de 10 anos e destruído pelo tempo. O distrito de Santa Terezinha, em Itaporã, foi do céu ao inferno em pouco tempo.


Durante três anos, várias pessoas trabalharam na construção do desvio das águas do Rio Brilhante, na obra dos reservatórios, casas onde ficavam as bombas de água e as das máquinas. Depois da conclusão das obras, somente quem participou do projeto experimental usufruiu, por pouco tempo, da estrutura.


O que era para ser um caminho para alavancar a produção, principalmente dos pequenos produtores, acabou seguindo o caminho inverso. Cada família teria 2,5 hectares irrigados para o cultivo de frutas, legumes e verduras.


Santa Iria Zandonardi participou do início do projeto e se arrepende até hoje. Ela teve que vender a metade da propriedade para arcar com os prejuízos deixados pelo projeto de irrigação em sua área.


“No começo, vinham um monte de técnicos aqui, falavam o que deveríanos plantar e ficavam fazendo análises, depois sumiram todos, não deram continuidade e aos poucos foi acabando tudo e ficando para trás as contas. Tivemos que vender parte da nossa terra para cumprir com os compromissos”, informou a produtora rural.


O valor inicial das obras de irrigação era de mais de R$ 25 milhões segundo os moradores da região.


Pedro do Santos Morelli trabalhou na construção do projeto por dois anos. Para ele, Santa Terezinha seria outro distrito se a obra funcionasse. “O distrito empacou no tempo, não temos nenhum desenvolvimento e pouca produção. Gastaram um dinheiro nosso que não vai beneficiar nenhuma família”, enfatizou Pedro.


O projeto de irrigação é semelhante ao que o Governo Federal tenta realizar no Rio São Francisco. Em vários pontos do Rio Brilhante foram construídos pontos de desvio de água e nestes locais colocadas enormes bombas, chamada de ‘casa das máquinas’, que mandariam a água para os reservatórios.


Deste local, a água iria correr pelas valetas que passam em todas as propriedades. Cada produtor rural, possui em sua área outra bomba como uma caixa de comando, que iria encaminhar a água para as lavouras irrigadas. Grande parte dos equipamentos já foram roubados ou estão destruído. Os moradores não acreditam que o projeto volte a funcionar um dia.

Jornal Midiamax