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Prestação de contas da Saúde vira palco de discussão política na Câmara Municipal

O Secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca, não queria ler o relatório deixado por Nelson Trad Filho sobre as ações na Sesau antes de realizar auditorias na secretaria e foi contestado por Paulo Siufi.

Arquivo Publicado em 26/02/2013, às 23h10 - Atualizado em 13/07/2020, às 10h46

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O Secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca, não queria ler o relatório deixado por Nelson Trad Filho sobre as ações na Sesau antes de realizar auditorias na secretaria e foi contestado por Paulo Siufi.

A prestação de contas marcada para a noite desta terça-feira (26) na Câmara Municipal de Campo Grande virou motivo de discussão entre os vereadores e o Secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.


O Secretário não queria revelar os números do último quadrimestre de 2012 aos presentes sem antes concluir cerca de 50 sindicâncias que instaurou para apurar “manifestações de técnicos da Sesau”.


O presidente da Comissão Permanente de Saúde, Paulo Siufi (PMDB), contestou duramente a posição do secretário. “A audiência pública é marcada para prestação de contas, prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal. O senhor relatou denúncias graves, como desaparecimento de motor em ambulância. Eu não acredito que o antigo Secretário de Saúde tenha distribuído motor de ambulância por aí como cartão de visita”, disparou.


Ivandro alegou que estava apenas receoso em repassar números que não são comprovados pela gestão atual como verdadeiros. “São denúncias e números que precisamos rever e auditar. Não quero trabalhar com suposições”.


Após solicitar apoio da assessoria jurídica e explicar ao secretário que ele era obrigado a ler o relatório deixado, mesmo contestando-o, Ivandro mostrou os dados que foram entregues por Nelson Trad Filho e Leandro Mazina, ex- secretário da Sesau.


A discussão continuou após a leitura das arrecadações e despesas. O secretário defendeu as ações de combate à dengue feitas por Alcides Bernal (PP), declarando que cerca de 300 mil pessoas foram atendidas entre janeiro e fevereiro e mais de 70 mil hemogramas foram realizados.


Paulo Siufi declarou que Nelsinho Trad e André Puccinelli, enquanto prefeitos de Campo Grande, também enfrentaram epidemia. “Veja os dados: 1 milhão e 174 mil exames foram feitos na cidade no último quadrimestre, mesmo sem dengue. Não fizemos alarde disso”.


“Fica parecendo que só o Bernal fez ações. Ele como legislador deveria ter feito leis, mas não tem uma lei dele aprovada aqui nesta Casa”, alfinetou Siufi.


Dados


Segundo o relatório apresentado, foram deixados R$ 44 milhões no caixa da prefeitura para a Saúde, sendo R$ 22 milhões já empenhados. A rede municipal de saúde recebeu R$ 135.574.799,69 em recursos federais, R$ 24.321.474,71 em recursos estaduais e R$ 126.155.590,16 em recursos municipais.


Foram gastos R$ 700.760.000,00 entre atenção básica, média e de alta complexidade em 2012.


O secretário de saúde questiona a quantidade de atendimentos. “No relatório, consta que o município cumpriu 83% da meta, mas não há o registro certo de pacientes oriundos do interior e cidades próximas como Sidrolândia, Terenos e Ribas do Rio Pardo”.


Outro questionamento é em relação ao foco do investimento na Sesau. “Devemos prevenir e não gastar tanto em média e alta complexidade. Atualmente, apenas 13% dos recursos são repassados para prevenção”.


Denúncias


Ivandro destacou que foram apontadas algumas falhas por técnicos da Sesau a serem analisadas em sindicâncias internas. “Não queremos fazer uma caça às bruxas, nem falar mal de ninguém. São denúncias graves que não podem ficar sem apuração”, esclareceu.


Entre elas, as más condições de armazenamento de medicamentos, depredação de ambulâncias, aquisição de materiais superfaturados e falta de infraestrutura nas 94 unidades de saúde de Campo Grande.


Em relação às denúncias, o vereador Zeca (PT) orientou que o secretário procurasse o Ministério Público para averiguação dos fatos.

Jornal Midiamax