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Plaenge atrasa entrega de apartamento de R$ 2 milhões e cliente reclama do prejuízo

O proprietário já quitou o imóvel e encontrou inúmeros defeitos na obra. Ele continua pagando aluguel e diz ainda que funcionários teriam ironizado a reclamação, dizendo que 'a Plaenge tem bons advogados'.

Arquivo Publicado em 05/11/2013, às 13h40

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O proprietário já quitou o imóvel e encontrou inúmeros defeitos na obra. Ele continua pagando aluguel e diz ainda que funcionários teriam ironizado a reclamação, dizendo que ‘a Plaenge tem bons advogados’.

Luciano Garcia Alves comprou o seu apartamento no Edifício Grand Palais em abril de 2012, com a programação de entrega prevista para março de 2013. Na data agendada, a construtora Plaenge afirmou que não poderia entregar o bem e que usaria o período extra de 180 dias que a legislação lhe permite para a assinatura da passagem das chaves do imóvel.

Entretanto, a empresa deveria pagar de 0,5% a 1% do valor do imóvel por cada mês do atraso ao cliente, o que não fez. A relação de consumo irá ser resolvida agora na Justiça. O atraso também fez com que o consumidor pagasse por mais tempo a ‘taxa de evolução da obra’.

“Essa situação com a Plaenge me tirou o prumo. Atrasaram a entrega e não fizeram o ressarcimento que deveria ser pago por eles. Meu custo mensal de aluguel, com o condomínio de onde moro hoje é de R$ 2 mil. No dia da vistoria colocaram uma fita vermelha na entrada do apartamento mas vi vários problemas lá dentro: vedação de silicone ineficaz em molduras da porta, torneira fora do lugar e problemas do porcelanato. Queriam que eu assinasse e depois eles resolveriam isso. Não assinei”, diz Luciano.

Outro problema que Luciano enfrenta é a perda de garantia de produtos eletrônicos comprados para o seu apartamento, assim como o dos móveis. Vários artigos comprados permanecem dentro do estoque das lojas, já que o empresário não tem espaço para guardar antes de estar finalmente em seu apartamento. O detalhe é que o imóvel, avaliado em R$ 2 milhões já foi inclusive quitado.

“Toda semana é gente das lojas que eu comprei móveis, televisão, geladeira e outras coisas me ligando pra perguntar quando poderei pegar os produtos. O prazo de seis meses que a Plaenge utilizou teve término agora em setembro. Isso porque é um prédio que fica em um cartão postal de Campo Grande. Quando fui à empresa, uma gerente me atendeu e perguntou se eu estava satisfeito? Perguntei se precisava responder, e ela riu. Depois que disse da minha vontade de entrar na Justiça me falaram que eles também possuem bons advogados”, reclamou o empresário.

Inspiração Francesa

De acordo com a página virtual da Plaenge, o Edifício Grand Palais, localizado no final da Rua Antônio Maria Coelho, nº6443, em frente ao Parque das Nações, é inspirado em um monumento parisiense. O nome é o mesmo do Grand Palais, construído na França no século XIX para abrigar exposições de arte. A versão campo-grandense também apresenta uma fachada imponente, mas foram os problemas básicos no interior do apartamento desapontaram Luciano.

O cliente espera que as adequações sejam solucionadas para que possa receber as chaves do imóvel. De acordo com o empresário, a construtora tentou inclusive na venda de uma vaga de estacionamento regularizar a data da entrega do apartamento.

No mesmo documento em que Luciano efetivava a aquisição de uma vaga extra no prédio, a Plaenge, conforme ele alega, tentou colher uma assinatura do cliente, em que se confirmaria o recebimento do imóvel.

O empresário por sua vez diz não ter o interesse de aceitar o apartamento com problemas em molduras de portas, a pia fora do lugar e azulejos quebrados. A Plaenge já foi notificada pelo advogado de Luciano para dar informações sobre o prazo que irá resolver as irregularidades, porém ainda não deu um posicionamento oficial sobre a solução.

“Já pedi a construtora um prazo sobre a correção das demandas que o meu cliente discordou. A questão é que ele não pode aceitar um imóvel fora das condições corretas. O apartamento está inclusive quitado há um bom tempo. Pelo me que informaram a Plaenge depende de uma empresa de São Paulo para consertar o porcelanato, mas enquanto isso o Luciano está pagando aluguel”, diz o advogado do empresário, Evandro Silva Barros.

Procurada pela reportagem, a construtora afirmou por meio de sua assessoria que não irá se manifestar sobre o problema com o cliente.

Jornal Midiamax