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Família de menina que vivia com canibais quer tirar nome do pai de certidão

A menina que vivia com o trio acusado de canibalismo em Pernambuco deve fazer um novo exame de DNA para comprovar que o homem que a registrou como filha não tem parentesco algum com ela. A criança, que hoje tem seis anos, vivia com na casa dos acusados –Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 51, Isabel […]

Arquivo Publicado em 19/07/2013, às 18h35

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A menina que vivia com o trio acusado de canibalismo em Pernambuco deve fazer um novo exame de DNA para comprovar que o homem que a registrou como filha não tem parentesco algum com ela.


A criança, que hoje tem seis anos, vivia com na casa dos acusados –Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 51, Isabel Cristina Pires da Silveira, 52, e Bruna Cristina de Oliveira da Silva, 26–, em Garanhuns (230 km de Recife), quando foi encontrada pela polícia após o caso de canibalismo ser descoberto, no ano passado.


Segundo o MP (Ministério Público Estadual) de Pernambuco, o registro de nascimento da menina tem como pai Jorge da Silveira, acusado de assassinar a mãe dela, Jéssica Camila da Silva Pereira, 17, que desapareceu em 2008, em Olinda (PE). Silveira teria comido partes do corpo da jovem.


Os restos mortais de Jéssica foram encontrados enterrados no quintal de uma casa em Olinda, que o trio morou antes de se mudar para Garanhuns.


Segundo a família, a retirada do nome de Jorge da Silveira da certidão de nascimento irá proteger a menina de preconceito. A menina também se alimentava de carne humana quando era ofertada pelos adultos da casa depois de supostos rituais de “purificação”.


Em depoimento à polícia, Isabel Cristina, mulher de Jorge da Silveira, informou que usava restos de carne humana para rechear salgados que vendia no comércio de Garanhuns.


Desde o mês de junho deste ano, a menina vive com a tia-avó Cosma de Araújo Pereira, 56, no município de Igarassu, localizado na região metropolitana de Recife. Em abril de 2012, quando o trio foi preso, a menina ficou em um abrigo de crianças para adoção.


O promotor de Justiça Fabiano Saraiva disse que foi procurado pela tia-avó da menina, que tem a tutela dela, para a retirada do nome de Jorge da Silveira da certidão de nascimento da menina.


“A tia-avó da menina contou que Jéssica era moradora de rua e se relacionou com um andarilho, que seria o pai da criança, porém como a certidão de nascimento consta o nome de Jorge Negromonte da Silveira, teremos de ingressar com uma ação negatória de paternidade. A comprovação ou não vai demorar um tempo ao contrário do que a família quer. Não é simplesmente ‘apagar’ o nome do pai da certidão de nascimento da menina. Tem todo um processo”, disse o promotor.


Caso seja provado que Silveira não é pai da menina, como a família afirma, será feita uma nova certidão de nascimento sem constar o nome do pai, pois não se sabe o paradeiro do homem que a família diz ser o pai da criança.


No ano passado a menina se submeteu a um exame de DNA para comparar os genes com o pai e o irmão de Jéssica Camila e ficou provado o parentesco. Depois da comprovação, a menina que estava em um abrigo de crianças foi levada para morar com a tia-avó.


O caso


A descoberta do canibalismo ocorreu após a polícia investigar o paradeiro de Jéssica Camila. Na ocasião, a família informou que alguém estava usando os documentos dela para fazer compras com cartão de crédito. A jovem havia desaparecido desde 2008.


Segundo a polícia, os documentos de Jéssica Camila estavam sendo usados por Bruna Cristina de Oliveira da Silva, 26, que tinha um relacionamento com o casal Jorge Negromonte da Silveira e Isabel Cristina da Silveira.


Após vasculharem o imóvel, a polícia encontrou restos mortais de uma suposta vítima do trio acusado de canibalismo e de criarem rituais macabros que sacrificavam mulheres, atraídas para trabalhar como empregada doméstica na casa deles.


Segundo as investigações, Jorge foi morar em Garanhuns com as duas mulheres e a filha de Jéssica Camila após tentar matar a mãe dele e aplicar um golpe na família, a qual conseguiu R$ 80 mil.

Jornal Midiamax