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Ex-funcionário diz que errou, mas nega envolvimento em ‘rede’ que burlava fila do SUS

Demitido pela Santa Casa de Campo Grande, João Alberto Soares de Oliveira, 55 anos, negou qualquer participação em esquema que cobrava para realizar cirurgias cardíacas na rede pública de saúde.

Arquivo Publicado em 18/07/2013, às 10h43

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Demitido pela Santa Casa de Campo Grande, João Alberto Soares de Oliveira, 55 anos, negou qualquer participação em esquema que cobrava para realizar cirurgias cardíacas na rede pública de saúde.

Demitido pela Santa Casa de Campo Grande, João Alberto Soares de Oliveira, 55 anos, negou qualquer participação em esquema que burlava a fila do SUS (Sistema Único de Saúde) em cirurgias cardíacas. Ele, que trabalhou por dez anos no hospital, reconheceu apenas uma internação irregular, mas garante que foi para salvar uma vida.


“Essas denúncias não procedem, e eu gostaria de saber de onde tiraram isso”, afirmou João, em entrevista exclusiva ao Midiamax. “Sempre tivemos a orientação de ajudar as pessoas, mas não pedir nem um café, pra não dar problema”, completou.


João revelou que foi demitido no dia 17 de junho, por justa causa, acusado de internar ilegalmente um paciente paraguaio. A dúvida é por que o médico, chefe de uma das equipes da cirurgia cardíaca da Santa Casa, teria chamado o funciónário e não a diretoria clínica ou medica do hospital.


O funcionario não soube responder, explicando apenas que no início do mês passado ele foi chamado na ala de cardiologia, na presença de três médicos, um deles o cardiologista João Jasbik Neto, quando foi orientado a tentar ajudar o paraguaio.


“O nome do paciente é Claudio Ramirez, os médicos me pediram para ajudar ele, se não ia morrer. Eu ajudei a internar Cláudio, e assinei os documentos com meu endereço. Esse erro eu assumo, sou homem para assumir, mas sei que salvei uma vida. Mas foi um caso desse em dez anos de Santa Casa, e fiz porque sou humano, não recebi propina nenhuma”, relatou João.


João afirma que foi escorraçado da Santa Casa, sendo ofendido pelo presidente da ABGC (Associação Beneficente de Campo Grande), Wilson Teslenco, que o teria chamado de criminoso. O ex-funcionário já acionou um advogado e vai processar a ABCG e Teslenco por calúnia, difamação e danos morais.


O ex-funcionário ainda estranhou o fato de somente ele ter sido demitido pela internação do paraguaio, enquanto os médicos envolvidos no caso continuam atuando na Santa Casa.


Rede criminosa


Denúncia de dentro da Santa Casa garante que havia uma rede criminosa no hospital, que ganhava propina para burlar a fila de atendimento do SUS.


Único demitido, João Alberto nega a participação ou mesmo o conhecimento de qualquer rede criminosa no hospital. “Nunca me chegou ao conhecimento qualquer informação neste sentido”, comentou.


João garante que vive uma vida simples, que seria incompatível se fizesse parte de uma rede de tamanho alcance. Ele lembra que ganhava R$ 1.040 bruto na Santa Casa, e relatou as dificuldades para pagar as contas mensais.


“Além disso minha nora está faz quatro meses tentando operar pelo SUS, se eu fizesse parte desta rede, ela já estaria operada, não é”, ironizou o ex-funcionário da Santa Casa.


Prática antiga


João ainda lembrou que membros da junta interventora da Santa Casa, que dirigiu o hospital até maio deste ano, por vezes solicitaram auxílio para ajudar alguns ‘amigos’. “Eles faziam isso constantemente, eu era funcionário, só obedecia”, lembrou.


Jasbik


Segundo denúncias que chegaram ao Midiamax, João supostamente atuava em parceria com o médico cardiologista João Jasbik Neto. João confirma que conhecia Jasbik, mas garante que trabalhavam em setores diferentes, e nega qualquer tipo de ‘parceria’ para burlar a fila do SUS ou vender cirurgias.


Assessoria do hospital não confirmou o nome do servidor nem do médico, mas disse que um funcionário foi afastado suspeito de cometer as irregularidades. O diretor presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, e a secretaria Municipal de Saúde já teriam aberto sindicância interna para apurar o caso.


Não foram divulgados valores cobrados para burlar a fila, mas há indícios que mais de um paciente teria sido ‘beneficiado’ pela situação.


Uma coletiva de imprensa está agendada nesta quinta-feira (18) na Santa Casa para esclarecer esse e outros fatos.


Cobrar por cirurgias do Sistema público de Saúde é crime. A irregularidade é prevista no artigo 43 da Lei Federal 8.080/90 (Lei Orgânica da Saúde), que cita que “a gratuidade das ações e serviços de saúde fica preservada nos serviços públicos contratados”.

Jornal Midiamax