Geral

Cuca se despede do Atlético-MG com 3º lugar e trabalho histórico

A despedida de certa forma foi melancólica. Não ficar pelo menos em segundo foi algo traumático. O último jogo de Cuca pelo Atlético-MG, contra o Guangzhou, da China, conquistando o terceiro lugar no Mundial de Clubes com uma vitória por 3 a 2, porém, mostra que há mais motivos de comemorações do que decepções: o […]

Arquivo Publicado em 22/12/2013, às 13h36

None

A despedida de certa forma foi melancólica. Não ficar pelo menos em segundo foi algo traumático. O último jogo de Cuca pelo Atlético-MG, contra o Guangzhou, da China, conquistando o terceiro lugar no Mundial de Clubes com uma vitória por 3 a 2, porém, mostra que há mais motivos de comemorações do que decepções: o clube passou em pouco mais de dois anos da luta para não cair no Campeonato Brasileiro a campeão da Libertadores.


A trajetória de Cuca no Atlético-MG é de muito trabalho. O ex-treinador alvinegro chegou ao clube em 2011. A situação da época era complicada, pois o time lutava contra a degola na reta final do Brasileiro. O clube chegou na mão de Cuca após ser comandado por dois treinadores de ponta, Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior, ambos com pouco sucesso.


O início foi complicado: Cuca perdeu as seis primeiras partidas, e chegou a assumir que a situação era muito complicada. Apesar disso, o presidente Alexandre Kalil decidiu manter o técnico, mesmo se o pior acontecesse. Com muito trabalho, Cuca conseguiu livrar o Atlético-MG. Os últimos jogos daquele certame nacional foram vencidos e o clube escapou da queda.


O último jogo, entretanto, voltou a frustrar os atleticanos. Com a possibilidade de rebaixar o principal rival, o time de Cuca sofreu uma dura derrota por 6 a 1 para o Cruzeiro. Cuca foi mantido no cargo. E a partir dali começou a traçar as metas para o ano seguinte. Reformulou a equipe, pediu contratações e iniciou um novo torneio.


No Campeonato Mineiro de 2012, mostrou um bom Atlético-MG. O time já apresentava sua cara e seu modo de jogar. Apesar disso, teve que enfrentar as criticas da torcida, que durante o Estadual ficou seis minutos em todas as partidas de costas para o gramado, protestando contra a derrota por 6 a 1 para o Cruzeiro. Com uma boa campanha, conseguiu o título sobre o América-MG. A taça foi confirmada na segunda partida, com destaque para Guilherme, que fez uma bela atuação como camisa 10.


Pouco tempo depois, amargou a queda na Copa do Brasil. Após uma péssima exibição contra o Goiás fora de casa, o resultado teria que ser revertido no Independência. Não aconteceu. O início do Campeonato Brasileiro mostrou que o Atlético-MG faria um bom torneio, mas não iria concorrer a taça.


O mês de junho, no entanto, mudou o rumo da história de três frentes: Cuca, o treinador azarado, a torcida, historicamente sofrida, e o craque, muito contestado. Ronaldinho chegou ao Atlético-MG para mostrar que seu futebol ainda era o mesmo. Após uma rápida negociação, o então camisa 49 ajudou o Atlético-MG na campanha do vice-campeonato.


Com a chegada de Ronaldinho, Cuca armou o esquema que fez sucesso no Campeonato Brasileiro e na Libertadores do ano seguinte, com o armador, dois jogadores de velocidade pelas pontas e o centroavante Jô. Embora tenha mostrado um belo futebol, o Fluminense foi mais eficiente, vencendo jogos fora e dentro de casa, e levou a taça.


O vice deu a possibilidade de ir direto para a Libertadores. O Atlético-MG se reforçou um pouco mais, contratou Diego Tardelli e foi para a disputa. A fase de grupos mostrou que a equipe de Cuca era a melhor da competição, com apenas uma derrota, na última partida, contra o São Paulo. Na ocasião, Ronaldinho falou que era um grande “treino de luxo”.


As disputas para chegar até o título foram mais complicadas. Vida fácil apenas com o São Paulo, que não apresentou grandes dificuldades nas oitavas. Os jogos seguintes foram decididos apenas no fim. Apesar das duras batalhas para conseguir o título, com defesas de pênaltis do goleiro Victor e muita luta dentro de campo, o Atlético-MG levou o troféu da Copa Libertadores – algo que livrou o treinador do rótulo de derrotado e deu ao clube um título de expressão após mais de 40 anos de espera.


A conquista deu ao Atlético-MG o direito de ir para o Mundial. A expectativa durou meses. O Campeonato Brasileiro foi esquecido e tratado apenas como treinamento para a disputa. Sem Bernard, que foi vendido ao Shakhtar Donetsk (UCR), os mineiros se reforçaram e foram para o torneio da Fifa. No entanto, uma péssima exibição acabou com o sonho de todo atleticano, que era pelo menos chegar à final com o Bayern de Munique. Uma dura derrota por 3 a 1 para o Raja Casablanca colocou o clube mineiro para lutar apenas pelo terceiro lugar.


Embora o resultado tenha sido ruim, Cuca disse acreditar que um jogo não pode apagar o trabalho de anos à frente do clube. “Eu sempre pus o Atlético-MG na frente de tudo nesses dois anos e meio. Fiz dele a minha casa, da turma do CT a minha família. Foi o melhor lugar onde trabalhei em tempo, qualidade e sentimento. Dei tudo o que pude, da minha fé até a organização. Fizemos coisas boas. Dói e estou decepcionado pelo jogo ruim que fizemos, mas não podemos apagar o que esse time fez e vai fazer no ano que vem”, disse.


Após o confronto contra os chineses, Cuca encerrou sua passagem pelo Atlético-MG conquistando o terceiro lugar, dois Campeonatos Mineiros e uma Copa Libertadores. O experiente Paulo Autuori já foi anunciado pela diretoria do clube e começa em janeiro a escrever uma nova história.

Jornal Midiamax