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Criança é “atacada” a mordidas por coleguinha em creche

Revolta maior da família é com a negligência da direção da creche em comunicar o ocorrido quatro horas depois, alegando ter sido "só uma mordidinha"

Arquivo Publicado em 28/03/2013, às 16h13

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Revolta maior da família é com a negligência da direção da creche em comunicar o ocorrido quatro horas depois, alegando ter sido “só uma mordidinha”

Uma criança, de 1 ano e 7 meses, aluna da creche Inocência Cambará, no bairro Maria Leite, foi alvo de várias mordidas de um coleguinha na tarde da quarta-feira, 27 de março. As mordidas deixaram o lado esquerdo do rosto da garotinha completamente machucado. Ela também teve braços e orelhas mordidas.

A situação já seria revoltante para qualquer pai, em ver a filha machucada. Mas, a revolta maior da família é com a negligência da direção da creche em comunicar o ocorrido quatro horas depois, alegando ter sido “só uma mordidinha”.

“Ontem, na hora do almoço, uma professora estava dando banho numa criança e a outra levava as demais para a sala. E minha filha brincava embaixo da mesa. Disseram que ela brigou por causa de brinquedos e foi mordida pelo coleguinha. A professora e auxiliar de sala não viram e aconteceu isso. Mas não foi só uma mordida, e ela teria gritado”, contou Edilene Amorim, mãe menina.

Edilene disse a este Diário que o fato aconteceu por volta do meio-dia, provavelmente após as crianças terem almoçado. E só foi comunicada do que houve com a filha depois das quatro da tarde, quando a diretora da creche Inocência Cambará chegou a casa dela com a criança. “A diretora falou que era uma mordidinha, que passou gelo no rosto dela. Vieram dizendo que foi um incidente, que levou uma mordidinha. De primeiro eu só vi a do braço. E quando peguei para mamar vi. Levei direto para o pronto-socorro e lá me orientaram a ir à Polícia.

A mãe da menina informou que, por conta do ponto facultativo e feriado de Paixão de Cristo, só poderá registrar a ocorrência na Delegacia de Atendimento à Infância; Juventude e Idoso (DAIJI) na segunda-feira, dia 1º de abril. “Vou registrar o caso na DAIJI pela negligência dos adultos que estavam ali par supervisionar e não zelaram pela integridade física dela”, afirmou Edilene.

Ela contou que a secretária de Educação de Corumbá, professora Roseane Limoeiro Pires da Silva, esteve na casa dela na manhã desta quinta-feira, dia 28. “A secretária disse que vai abrir processo administrativo e também que é para segunda-feira, dia 1º de abril, estarmos na creche às 07 horas para sermos ouvidos”, disse Edilene. Diante da situação ocorrida com filha, ela até questiona se voltará a deixar a criança na creche. “Para ser mal cuidada não dá vontade de deixar mais na creche”, afirmou a mãe.

Processo administrativo

Ouvida por este Diário, a secretária Municipal de Educação informou que será aberto processo administrativo para apurar responsabilidades. “Vamos tomar todas as medidas para apurar, administrativamente, o que houve. Apurar as responsabilidades cabíveis e o que falhou. Quero saber com foi a forma de atender a criança, de socorrê-la; as medidas imediatas tomada. tudo vai ser apurado”, afirmou Roseane Limoeiro. “A família vai ser ouvida, os servidores da creche e todo caso vai ser acompanhado de perto por mim”, declarou.

Secretária de Educação afirmou que caso terá apuração administrativa rigorosa

A secretária adiantou que a apuração administrativa do caso começa já na segunda-feira e terá a participação direta de um representante da Procuradoria Geral do Município. “Segunda-feira às 07 horas estarei na creche. Já comuniquei a família para estarem lá e vamos encaminhar toda a situação à Procuradoria do Município para as medidas cabíveis. Quero saber o que aconteceu, o que falhou no atendimento imediato no fato. As providencias serão tomadas. Um processo como esse prevê diversas medidas, que vão de suspensão até exoneração do cargo”. Ela disse ainda que vai buscar informações a respeito do menino que mordeu a criança, para saber qual a situação dessa criança e o cotidiano familiar a que está submetido.

De acordo com a secretária, a situação com a garotinha é de “gravidade” e não deveria ter chegado a esse extremo porque há uma preocupação enorme da Prefeitura com a formação e capacitação dos profissionais. “Antes do início do ano letivo professores, atendentes, coordenadores, e gestores, passam por formação que é continuada em serviço. Não é falta de orientar e atender. Há formação sobre cuidado com as crianças e isso não poderia ter ocorrido. Lamentamos em nome da Prefeitura, mas vamos apurar rigorosamente”, finalizou a secretária de Educação.

Jornal Midiamax