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Bolsa Família ainda sustenta metade da segunda cidade mais rica de Alagoas

Na cidade mais rica do interior de Alagoas, onde o comércio é pujante e o desenvolvimento econômico animador, mais da metade da população ainda depende do Bolsa Família. As indústrias, lojas e o novo shopping que dão o ar de metrópole a Arapiraca contrastam com a realidade de pequenos povoados da zona rural, que “sobrevivem” […]

Arquivo Publicado em 03/11/2013, às 15h41

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Na cidade mais rica do interior de Alagoas, onde o comércio é pujante e o desenvolvimento econômico animador, mais da metade da população ainda depende do Bolsa Família. As indústrias, lojas e o novo shopping que dão o ar de metrópole a Arapiraca contrastam com a realidade de pequenos povoados da zona rural, que “sobrevivem” quase que exclusivamente de transferências de renda do governo federal.


“Isso [o programa] é uma ‘bença’ de Deus. Não dá pra garantir o sustento, mas já me ajudou muito numa fase difícil da minha vida. Hoje, eu gasto tudo com o meu filho, compro material escolar, farda e calçado. Ele vai todo arrumadinho pra escola”, diz em tom orgulhoso Ana Paula Pereira, de 25 anos, moradora do Sítio Pau D’Arco.


A dona de casa é uma das 134.312 beneficiárias em Arapiraca do programa Bolsa Família, programa federal que completa 10 anos com resultados positivos no combate à extrema pobreza, redução na taxa de mortalidade infantil, maior frequência de crianças e adolescentes nas escolas e que ainda tem uma série de desafios a frente.


Ana Paula conta que na rua em que mora praticamente todas as famílias são atendidas pelo programa. Ela destaca que a região é pobre e o dinheiro repassado é pouco, mas suficiente para matar a fome e suprir as necessidades básicas. A família da ex-empregada doméstica sobrevive hoje do benefício de prestação continuada do INSS, equivalente a um salário mínimo, e dos R$ 102 do Bolsa Família.


Ela precisou deixar a casa onde trabalhava para cuidar do marido, que tem deficiência mental, e não consegue emprego há três anos. Até receber o benefício na Justiça, Ana Paula diz que comprava o farelo de multimistura para dar “sustança” ao pequeno Maicon, de 4 anos. O complemento alimentar, de alto valor nutritivo, custa em média de R$ 1 a R$ 5.


“Nessa época, o dinheirinho do Bolsa Família me salvou. Agora eu não trabalho mais porque tenho a curatela do meu marido, e preciso ficar em casa cuidando dele. Mas sempre que dá eu faço uns bicos, vendo calcinhas pela cidade e consigo ajeitar uma coisa ou outra dentro de casa”, detalha.

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A realidade de Ana Paula é a mesma de milhares de alagoanos, que dependem de recursos do governo federal para sustentar a família. De acordo com o economista Cícero Péricles, a transferência direta de renda a Alagoas ultrapassa R$ 11 bilhões por ano, e compreende um terço das riquezas da economia do Estado.


O economista frisa que o Programa Bolsa Família – que atende quase 440 mil do total de 920 mil famílias alagoanas – impacta de maneira prioritária na compra de alimentos, uma vez que a fome é “inadiável”. “Também possui aspecto econômico positivo para o comércio dos bairros periféricos e localidades do interior, que passaram a ter outra dinâmica com os aportes do Bolsa Família que contribuem para a melhoria do ambiente nestes espaços”, avalia.

Jornal Midiamax