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Assédio sexual praticado por mulheres faz empresa discutir tema com funcionários

Quando se fala em assédio sexual e moral a primeira imagem que vem a mente são homens subjugando mulheres. Dificilmente, se pensa o contrário. A ideia de uma mulher ‘dar em cima’ de um homem até constrangê-lo parece descabida. Mas, foi exatamente isso que fez com que a assistente social de uma empresa construtora, que […]

Arquivo Publicado em 27/03/2013, às 17h09

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Quando se fala em assédio sexual e moral a primeira imagem que vem a mente são homens subjugando mulheres. Dificilmente, se pensa o contrário. A ideia de uma mulher ‘dar em cima’ de um homem até constrangê-lo parece descabida. Mas, foi exatamente isso que fez com que a assistente social de uma empresa construtora, que atua em Campo Grande, organizasse uma palestra para tratar do assunto.

Francis Jaqueline da Rocha conta que muitas mulheres foram contratadas para serviços antes destinados apenas aos homens. O avanço feminino no canteiro de obras trouxe um olhar diferente, mais cuidadoso, que resultou em uma perspectiva muito melhor. Mas, também trouxe o assédio aos homens, problema que ela não esperava enfrentar.

“Um rapaz veio até minha sala e comunicou que algumas colegas estavam assediando-o. E que eram incisivas, inclusive, sendo grosseiras e indelicadas com a negativa dele”, revela.

Diante disso, ela resolveu promover a palestra e tratar do assunto. “Quando se conversa sobre o problema ele deixa de ser tabu e fica mais fácil solucioná-lo”, revela. “Além disso, é preciso esclarecer que assédio é assédio independente de quem o pratica. Não importa se é um homem contra uma mulher, ou o inverso, todos tem que estar cientes do seu lugar”, completa.

Francis diz ainda que outras palestras já foram ministradas no local. Os temas tratados são sempre de interesse dos trabalhadores e que de alguma forma podem ajudá-los. Na palestra de hoje, além de assédio sexual e moral, a delegada titular da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Rosely Aparecida Molina, falou sobre violência doméstica.

Molina conta que os números de mulheres que sofreram qualquer tipo de violência em Mato Grosso do Sul superam 17 mil ocorrências. Somente em 2012, o número de denúncias de violência doméstica chegou a 5.550.

Os dados elevados, segundo a delegada, mostra que as pessoas estão denunciando mais. Ela descarta que a violência tenha aumentado. “A estatística mostra que a aplicabilidade da Lei Maria da Penha tem sido eficaz na responsabilização do autor de agressão. A mulher tem tido mais coragem, pois sabe da existência de um poder estatal que caminha ao lado das mulheres na busca de ajuda”, diz.

A delegada disse ainda que apenas do início do ano para cá, já são mais mil boletins de ocorrências registrados. Ela também informou que a cada dois dias um homem é preso por violência doméstica.

Em Mato Grosso do Sul o atendimento especializado a mulheres vítimas de violência começou em abril de 1986, com a instalação de uma Unidade de Pronto Atendimento. Hoje são 11 delegacias, sendo uma em Campo Grande e outras dez nos municípios de Aquidauana, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Três Lagoas.

A Deam – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – fica na Rua 7 de Setembro, 2421, Jardim dos Estados. Os telefones para contato são 3384-1149 ou 3384-2946. O disque-denúncia funciona no 180 – 24 horas por dia.

Jornal Midiamax