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Após recepção ao Papa, manifestantes e PM entram em confronto

Durante a recepção de autoridades ao papa Francisco no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, centenas de manifestantes aproveitaram para protestar em frente à sede do governo do Estado. O ato, no entanto, acabou em confronto depois que o Papa deixou o prédio. Alguns manifestantes jogaram pedras, garrafas d’água […]

Arquivo Publicado em 22/07/2013, às 23h46

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Durante a recepção de autoridades ao papa Francisco no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, centenas de manifestantes aproveitaram para protestar em frente à sede do governo do Estado. O ato, no entanto, acabou em confronto depois que o Papa deixou o prédio. Alguns manifestantes jogaram pedras, garrafas d’água e coquetéis molotov em direção a jornalistas e a policiais, e o Batalhão de Choque da Polícia Militar usou bombas de efeito moral, balas de borracha e jatos d’água para dispersar as cerca de 700 pessoas que se aglomeraram nas proximidades do palácio, isolado pela Polícia Militar.

Dois caveirões da PM avançaram rapidamente para cima da multidão, que fugiu pela rua Pinheiro Machado e pela rua das Laranjeiras. O estudante de Pedagogia Bruno Teles, 25 anos, foi preso suspeito de ter atirado o primeiro coquetel molotov. Ele foi detido por um policial infiltrado, o chamado P2, e estava com uma espécie de colete por baixo da roupa para se proteger dos tiros de balas de borracha. O estudante negou as acusações. “Represento a sociedade brasileira. Sou um trabalhador. Prefiro morrer aqui do que num hospital público”, disse ele.

Dois fotógrafos ficaram feridos: um estrangeiro, da agência France Press, teve um corte na testa durante o confronto e Marcelo Carnaval, do jornal O Globo, foi atingido por uma pedra na cabeça. Um manifestante levou um tiro de bala de borracha, e um carro da Rede Globo foi quebrado.

Dois integrantes do grupo Mídia Ninja foram presos durante a cobertura do protestos. Eles foram identificados como Felipe e Augusto, por outros colegas, e de acordo com a polícia, levados para a 9ª DP. O estudante de fotografia Renan Lima relatou como se deu a prisão: “Ele estava na frente da polícia, fazendo o trabalho dele, quando um policial à paisana o abordou, abriu a sua mochila e, mesmo vendo que não tinha nada lá dentro, levou ele para o camburão, com a ajuda de outros policiais”. A PM não informou o motivo das prisões.

Um boneco do governador Sérgio Cabral (PMDB) foi queimado durante o protesto. Aos gritos de “Cabral é ditador!” e “Não adianta me reprimir, esse governo tem que cair”, os manifestantes dançavam ao redor da fogueira. Integrantes dos grupos Anonymous e Ocupa Cabral também protestavam no local.

Antes do confronto, a Polícia Militar fez um cordão de isolamento com mais de 100 policiais entre a sede do governo e a rua Pinheiro Machado com a travessa Pinto da Rocha. Todas as pessoas que tentam se aproximar do palácio eram barradas. Moradores precisaram apresentar comprovante de residência para poder passar pelo bloqueio.

Cerca de 500 manifestantes retornaram ao largo do Machado e tomavam as escadarias da igreja Nossa Senhora da Glória. Por volta das 21h30, o grupo começou uma marcha até a 9ª DP, para protestar contra as prisões dos membros da Mídia Ninja. A PM acompanhava a caminhada.

Jornal Midiamax