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Tsonga recebe acessórios indígenas e encontra “clone” brasileiro

Número 8 do mundo, Jo-Wifried Tsonga recebeu arco e flecha, chocalho, leque e martelo feito de pedra no início desta tarde, no Ginásio do Ibirapuera. O francês deu uma clínica de tênis para participantes da ONG Favela Open, projeto social que insere o esporte em comunidades carentes e tribos indígenas de São Paulo. Idealizada pelo […]

Arquivo Publicado em 08/12/2012, às 17h49

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Número 8 do mundo, Jo-Wifried Tsonga recebeu arco e flecha, chocalho, leque e martelo feito de pedra no início desta tarde, no Ginásio do Ibirapuera. O francês deu uma clínica de tênis para participantes da ONG Favela Open, projeto social que insere o esporte em comunidades carentes e tribos indígenas de São Paulo.


Idealizada pelo professor de tênis Jorge Nascimento, a ONG levou os vencedores dos campeonatos os quais organiza em 40 favelas da capital paulista para bater bola com Tsonga e os duplistas brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares.


Também estavam presentes as crianças que ganharam os torneios realizados em três tribos indígenas da cidade (Krukutu, Tenendaporá e Albaiaté). Ao fim da clínica, elas deram acessórios aos três tenistas, que posaram para fotos como se fossem atirar uma flecha.


Nascimento, 40 anos, era morador de uma favela em Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Aos dez anos, era pegador de bolas em um clube da capital, o qual não permitia que pessoas de sua função jogassem tênis no local. Como alternativa, ele começou a praticar o esporte com os irmãos em uma quadra improvisada na comunidade, cujas demarcações eram feitas com cal e a rede com sacos de batata. “As raquetes eram tábuas de bater carne”, conta.


A partir dos 15 anos, ele começou a trabalhar como ajudante geral em um hotel paulistano, no qual auxiliava também na limpeza das quadras de tênis. Em um congresso de empresários espanhóis, fez contato, ganhou a simpatia deles e foi convidado para estudar em Barcelona. Após dois anos de curso para se tornar técnico de tênis na Espanha, ele retornou e homologou a ONG em 1994, ainda com recursos próprios. Atualmente, conta com patrocinadores que lhe proporcionaram divulgar o projeto durante o Gillette Federer Tour.


Bem humorado, Nascimento guiava os participantes que se revezavam durante a clínica, à espera de jogar com os profissionais. “Agora é Tsonga contra Tsonga”, brincou ele, dizendo a frase em voz alta quando o francês trocava golpes com Renan Gargan, 24 anos. O brasileiro, de 1,86 m e 103 kg, é conhecido pelos amigos como “clone” do francês, de 1,88 m e 91 kg.


“Ele é o cara que mais admiro mesmo. Tenho um estilo agressivo como o dele”, disse Gargan, que trabalha como professor de tênis e é voluntário no projeto. Ao final, os “irmãos” fizeram a posição de guarda do boxe para os fotógrafos. Tsonga, 27 anos, é constantemente comparado ao ex-boxeador americano Muhammad Ali, 70.


Aparentando um certo desconforto, o francês comentou com um “é…” quando questionado sobre a semelhança física com Gargan. O tenista, que neste sábado enfrenta Roger Federer na turnê de exibições do suíço em São Paulo, mostrou-se mais satisfeito no contato com as crianças. “É uma motivação para eles”, disse, citando que também tem projetos sociais na França e na África, continente onde seu pai, Didier, nasceu – ele é natural do antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, e emigrou para o país europeu na década de 1970.

Jornal Midiamax