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Sem farda e com viaturas precárias, PM inicia tolerância zero e promete pegar ‘tubarões’

Policiais militares e bombeiros lotaram auditório, na tarde desta segunda-feira, em Campo Grande, para assembleia deliberativa sobre pedido da categoria e contraproposta governamental. Ficou decidido por operação tolerança zero.

Arquivo Publicado em 16/04/2012, às 21h30

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Policiais militares e bombeiros lotaram auditório, na tarde desta segunda-feira, em Campo Grande, para assembleia deliberativa sobre pedido da categoria e contraproposta governamental. Ficou decidido por operação tolerança zero.

Depois da frustrada tentativa de negociação com o Governo do Estado, na última sexta-feira, em relação à equiparação salarial ou a um reajuste que agrade a categoria, os policiais militares de base (praças) decidiram na tarde desta segunda-feira partir para um esquema de tolerância zero. Isto significa trabalhar no rigor da lei e exigir condições de trabalho.


Sem querer se identificar por medo de represálias, um praça da polícia militar, garante que há quatro anos não recebe coturnos, cobertura (boné) e fardamento. “Com esta operação quem não tiver com fardamento com condições mínimas não vai colocá-lo. Tem gente que promete ir de tênis”, avisa.


Os militares garantem que a operação tolerância zero vai cumprir a lei no seu mais profundo rigor com remoção de veículos por menor que seja a restrição. Viaturas com pneus carecas, sem cinto de segurança, problemas mecânicos não sairão de suas bases para o serviço operacional.


Outro policial militar que trabalha com serviço ostensivo garante que sempre que algum conhecido de políticos que estão no poder “caem em alguma blitz acabam ligando e dando um jeitinho. “Não vai ter o: você sabe com quem você está falando. Vai ser remoção e acabou. Não vai ter pra tubarão”, diz o militar se referindo as pessoas com influência e poder. Ainda de acordo com ele, a contravenção de jogo do bicho não vai ser tolerada.


A operação tolerância zero é uma reação em cadeia que promete chegar ao interior do Estado até esta terça-feira, mesmo dia que acontece mais uma rodada de negociação entre representantes de entidades que representam praças e oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, na Procuradoria Geral do Estado, no Parque dos Poderes, a partir das 7h30.


Promessa de aquartelamento


Se algum policial militar for preso devido a operação tolerância zero a promessa é de paralisação total, ou seja, aquartelamento com atendimento essencial. “Jamais vamos fazer um apagão e deixar a comunidade sem segurança”, reforça Edmar Soares, presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro de Mato Grosso do Sul (ACS).


Em relação ao trabalho do Corpo de Bombeiros, Edmar Soares afirma que por conta de lidarem com socorrismo, a tolerância zero vai ser em relação ao serviço de fiscalização. “Se chegarem em um clube, por exemplo, e não tiver guarda-vidas, vão fechar. Tudo o que dizem as leis ficou acordado na assembléia desta tarde que será cobrado ao pé da letra”, finaliza.


A categoria pede um reajuste salarial que vincula os vencimentos de todos os graus hierárquicos ao do posto de coronel. Desta forma, um Soldado passaria a receber 25% do vencimento de um Coronel, aumentando o percentual gradativamente até 90% no posto de tenente-coronel. Durante o encontro desta sexta-feira, 13, o Governo ofereceu 5%.

Jornal Midiamax