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Praças da PM, irritados com salários, criticam André e decidem por tolerância zero

Cerca de mil policiais militares se reuniram em assembléia, na qual a associação informou que o governador não vai rever salários, o que gerou protestos e até xingametos

Arquivo Publicado em 16/04/2012, às 20h00

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Cerca de mil policiais militares se reuniram em assembléia, na qual a associação informou que o governador não vai rever salários, o que gerou protestos e até xingametos

De recém-formados até aqueles com experiência e prestes a se aposentar, mil policiais militares de Mato Grosso do Sul se reuniram nesta tarde (16), no auditório da Escola Mace, em Campo Grande, para demonstrar a indignação quanto ao reajuste salarial de 5%, proposto pelo governador do Estado, André Puccinelli, durante reunião na sexta-feira (13).


“Ele não chegou nem sequer a avaliar a nossa proposta de aumento gradativo de 25% até 2014. Foi algo muito discutido entre os batalhões regionais e que ele simplesmente disse não ter verba e ser inexequível. Acreditamos ser um descaso com a categoria, não apresentar nenhuma contraproposta e índices com relação a folha de pagamento”, afirma o presidente da ACS (Associação de Cabos e Soldados e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul), Edimar Soares da Silva.


Com presença maciça dos profissionais na Assembléia Geral, o presidente da ACS, garante que a intenção é realizar o ‘aquartalemento’ (policiais ficam apenas nos quartéis e não vão para as ruas combater o crime), caso o governo não apresente um maior reajuste salarial. “Nós fizemos o aquartelamento por dez dias no ano de 1997 e 2000, com sucesso. E podemos fazer agora o mesmo, com doações de sangue e até mesmo dispensa dos servidores”, diz o presidente da ACS.


Além da fala do presidente da ACS, cabos e soldados de diversos estados apresentaram a sua indignação. “O nosso problema se chama André Puccinelli, governador do Estado. Ele não quer negociar e afirma que terá de tirar dinheiro de grandes obras em andamento, como o Aquário do Pantanal, para nos pagar. Ele não para de anunciar novas obras e enquanto isso o policial dá o sangue, deixa sua família e seus filhos desprotegidos para não ser valorizado. Será que o índice de criminalidade ter baixado em 12% já não é um motivo de retribuir os servidores?”, disse um cabo que veio de Dourados.


Equivalente a apenas R$ 97 de aumento, os policiais dizem que ‘em um dia de bico’, eles recebem este valor. “Em um dia de trabalho conseguimos mais que este valor. Chega a ser vergonhoso e até pornográfico oferecer este aumento ínfimo para a categoria”, falou outro policial em discurso.


Amanhã, às 7h30, representantes da ACS estarão reunidos com técnicos do tesouro estadual, da secretaria da fazenda e de administração do governo do Estado, na PGE (Procuradoria Geral do Estado). “Será um dia que pretendemos ouvir uma contra proposta e resolver o impasse da melhor maneira possível”, afirma o presidente da ACS.

Jornal Midiamax