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Audiência em Goiânia começa com Cachoeira na primeira fila

O agente da Polícia Federal (PF) Fábio Alvarez é o primeiro a ser ouvido na audiência dos envolvidos na Operação Monte Carlo, da PF, nesta terça-feira, no prédio da Justiça Federal em Goiânia (GO). Sentado na primeira fila, Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, acompanha com atenção o depoimento, […]

Arquivo Publicado em 24/07/2012, às 13h55

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O agente da Polícia Federal (PF) Fábio Alvarez é o primeiro a ser ouvido na audiência dos envolvidos na Operação Monte Carlo, da PF, nesta terça-feira, no prédio da Justiça Federal em Goiânia (GO). Sentado na primeira fila, Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, acompanha com atenção o depoimento, que começou por volta das 10h05.


Apenas um dos sete réus acusados de participar do esquema não assiste aos depoimentos: o foragido Giovani Pereira da Silva. A mulher do contraventor, Andressa Mendonça, e o pai, Sebastião de Almeida Ramos, acompanham a audiência.


Antes de iniciar as oitivas, o advogado Ney Moura Teles, que representa o ex-vereador goiano Wladimir Garcez, solicitou a saída dos jornalistas da sala, acusando a imprensa de sensacionalista e de estar fazendo pré-julgamento dos réus. O juiz Alderico Rocha negou o pedido.


Carlinhos Cachoeira


Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.


Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.


Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.


Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Jornal Midiamax