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Aos prantos, pai de jovem assassinado implora a deputados ‘medidas já’

Paulo Roberto Fernandes pediu ações imediatas para acabar com a legalização de veículos roubados na Bolívia e evitar novas mortes e a tristeza de outras famílias

Arquivo Publicado em 04/09/2012, às 15h17

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Paulo Roberto Fernandes pediu ações imediatas para acabar com a legalização de veículos roubados na Bolívia e evitar novas mortes e a tristeza de outras famílias

Em depoimento emocionante na tribuna da Assembleia Legislativa, o pai de Leonardo Batista Fernandes, assassinado na semana passada em Campo Grande, o comerciante Paulo Roberto Fernandes pediu ações imediatas para acabar com a legalização de veículos roubados na Bolívia e evitar novas mortes e a tristeza de outras famílias.


“Alguma medida precisa ser tomada já antes que aconteça o que aconteceu comigo dentro da casa de vocês”, disse o pai aos deputados. Pouco antes, o pai de Breno, também morto durante o assalto da camionete Pajero, o professor universitário Rubens Silvestrini dizia que o “caos na educação” reflete diretamente no aumento da criminalidade.


“Não adianta fechar a fronteira, não adiante aumentar o efetivo e comprar novas viaturas, é preciso diminuir o número de criminosos”, desabafou. Para ele, a solução está na educação e na família. “Busquem o auxílio de especialistas para mudar essas leis”, acrescentou aos deputados.


Na sequência, o pai de Leonardo concordou que a educação é a solução, mas cobrou ações imediatas. “Desde criança, ouço que a educação é necessária, porém o resultado disso só veremos daqui uns 40 anos, precisamos de medidas já”, frisou. Para ele, o combate ao uso de drogas é uma alternativa e também intervir para acabar com a legalização de veículos roubados na Bolívia.


Emoção


A emoção tomou conta do depoimento quando Fernandes lembrou do comportamento do seu filho. “Um menino bom, digno, trabalhador, nunca me enfrentou em nada”, contou. “Olho para dentro do quarto dele e penso nunca mais vou ver meu filho”, prosseguiu.


Segundo o pai, Leonardo estava “doido para tirar a carteira” de motorista. “Ficou todo faceiro, o dia que disse que iria ao trabalho de moto para deixar o carro com ele”, lembrou. O jovem foi morto junto com o amigo Breno, que dirigia a camionete de sua mãe.


Apoio


Antes do depoimento dos pais, os deputados manifestaram apoio às famílias e cobraram mais ações de segurança do Governo Federal na fronteira. “Precisamos de tratamento diferenciado porque nossa fronteira seca é muito grande”, frisou o deputado professor Rinaldo (PSDB).


Emocionada, Mara Caseiro (PTdoB) fez apelo como mãe no sentido de que, se for preciso, ir até a presidente Dilma Rousseff (PT) para “recuperar a ordem no país” e evitar sofrimento de outras famílias.


Paulo Duarte (PT), candidato a prefeito de Corumbá, município de fronteira com a Bolívia, sugeriu campanha de prevenção forte contra o uso de drogas. “Não adianta gastar milhões no Rio (de Janeiro) se a droga entra aqui”, ponderou. Ele ainda avalia que o correto é fiscalizar veículo por veículo que passa por ponte que dá acesso à Bolívia. “É preferível que demore a viagem a acontecer uma tragédia dessas”, acrescentou. 

Jornal Midiamax