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Violência do tráfico afeta Guadalajara, sede do Pan-2011

Pistoleiros ligados a traficantes estão assassinando rivais e aterrorizando moradores de Guadalajara, segunda maior cidade do México, que será a sede dos Jogos Pan-Americanos em outubro. Nas últimas semanas, bandidos armados com metralhadoras queimaram veículos e bloquearam ruas na cidade, que até recentemente era mais conhecida pelos músicos mariachis e pela tequila do que pela...

Arquivo Publicado em 09/02/2011, às 19h26

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Pistoleiros ligados a traficantes estão assassinando rivais e aterrorizando moradores de Guadalajara, segunda maior cidade do México, que será a sede dos Jogos Pan-Americanos em outubro.




Nas últimas semanas, bandidos armados com metralhadoras queimaram veículos e bloquearam ruas na cidade, que até recentemente era mais conhecida pelos músicos mariachis e pela tequila do que pela violência. De um ano para cá, o número de homicídios vinculados ao narcotráfico duplicou no Estado de Jalisco, cuja capital é Guadalajara, chegando a quase 600. Extorsões e sequestros também têm aumentado, e cadáveres vêm sendo “desovados” em bairros residenciais.



A violência nessa região do oeste mexicano vai se aproximando assim dos mesmos níveis vistos no norte do país, e gera preocupações sobre a capacidade de Guadalajara para receber o Pan, entre 14 e 30 de outubro.



As autoridades investiram cerca de 250 milhões de dólares em estádios, transportes e alojamento, e garantem que os preparativos estão correndo bem. “Não temos quaisquer problemas ligados à questão da segurança”, disse Horacio de la Vega, diretor de marketing dos Jogos, a jornalistas.



Mas cartazes espalhados no final de janeiro por Jalisco, assinados por uma aliança de três cartéis, contrariam essa tranquilidade. “Preparem-se para que Jalisco arda em chamas. Se vocês acham que isso acabou, estão errados. Está só começando”, diz o texto.



Jalisco responde por quase 7 por cento do PIB mexicano, e o agravamento da violência no Estado aumenta a pressão sobre o governo do presidente Felipe Calderón, que tenta tranquilizar a população e os investidores sobre o êxito da sua estratégia de combate militar aos traficantes.



Desde que ele tomou posse, em dezembro de 2006, mais de 34 mil pessoas já morreram no país. A violência, antes confinadas a localidades fronteiriças como Ciudad Juarez, já havia chegado com força a Monterrey, cidade com tamanho e poderio econômico semelhante a Guadalajara, o que levou algumas empresas a congelarem seus investimentos.



Muitos em Guadalajara temem o mesmo destino. O consulado dos EUA na cidade alertou em 3 de fevereiro para uma “notável escalada na atividade criminal”, e proibiu funcionários governamentais norte-americanos de se deslocarem após o anoitecer entre a cidade e seu principal aeroporto, além de aconselhar turistas dos EUA a fazerem o mesmo.



O assassinato do traficante Ignácio “Nacho” Coronel, ocorrido em julho em Jalisco, foi apresentado pelo governo como uma vitória sobre o narcotráfico na região. Mas duas gangues do vizinho Estado de Michoacán, a La Família e a Milenio, se juntaram agora ao Cartel do Golfo para tentar ocupar os espaços do Cartel de Sinaloa, que era comandado por Coronel.



As autoridades estaduais dizem que a incidência de assassinatos em Jalisco – 8 por 100 mil habitantes – continua bem abaixo da média nacional, de 14 por 100 mil. O governador Emilio González anunciou a intenção de investir 85 milhões de dólares em câmeras e outras tecnologias para o combate ao crime.



Mas muitos em Guadalajara continuam receosos. Uma pesquisa feita no mês passado pelo jornal Mural mostrou que 65 por cento dos moradores acham que a violência irá afastar visitantes na época do Pan, e que pode levar inclusive alguns atletas a desistirem do evento.



“Parei de sair e não deixo meus filhos saírem também”, disse a dona de casa Julia Silva, 38 anos. “Fico com eles em casa fazendo quebra-cabeças.”

Jornal Midiamax