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Problemas na Ernesto Geisel surgiram com decisão de André e Giroto na Prefeitura

Enchentes e desabamentos em rio na av. Geisel não foram previstos por Puccinelli quando prefeito e pelo secretário de Obras Giroto Na estação de chuvas que se aproxima, moradores e comerciantes da região esperam enfrentar, de novo, problemas decorrentes de obras

Arquivo Publicado em 10/11/2011, às 17h03

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Enchentes e desabamentos em rio na av. Geisel não foram previstos por Puccinelli quando prefeito e pelo secretário de Obras Giroto

Na estação de chuvas que se aproxima, moradores e comerciantes da região esperam enfrentar, de novo, problemas decorrentes de obras

Em duas reportagens sobre a cratera do bairro Nova Lima, a reportagem do Midiamax mostrou problemas apontados pelos moradores, relativos à má qualidade das obras de drenagem da rua Marquês de Herval, que acabou por criar voçorocas gigantes, que engoliram a pista e parte da mata onde se encontram nascentes que foram o córrego do Segredo.


Para checar o “padrão” dessas obras realizadas ao tempo da dupla Puccinelli e Giroto à frente da prefeitura de Campo Grande, a reportagem seguiu o curso do Segredo, até onde ele se funde com o córrego Prosa, formando ao rio Anhanduizinho, na Avenida Geisel, a partir da avenida Fernando Corrêa da Costa.


É exatamente no ponto de fusão dessas águas que se encontram os grandes problemas de enchentes e desabamentos na região onde Campo Grande nasceu, e que são recorrentes na época das chuvas.


A reportagem apurou que os desabamentos na avenida Geisel se devem a uma escolha da prefeitura, à época, sobre o tipo de contenção que seria empregada nas margens de terra do Anhanduizinho – que desabam todo ano.


Ao contrário do que se vê na região mais central da avenida Geisel – onde há paredes de concreto laterais para evitar a erosão da terra, e da pista de rolamento – no trecho entre a avenida Fernando Corrêa da Costa até o final, na Avenida Campestre, há pouca proteção ou nenhuma.


A escolha foi do próprio prefeito Puccinelli, auxiliado pelo seu secretário municipal de Obras, que ficou no cargo por 10 anos seguidos. É o que o ex-prefeito revela no “Livro Memória, A Cidade na Visão dos seus Prefeitos”.


Ao comentar a forma de fazer o prolongamento da Geisel, Puccinelli afirma que a opção por não “emparedar” o rio foi a mais acertada:


“(…) recuperamos a área sem emparedar os córregos (…) Todos os córregos margeados pela Salgado Filho, Manoel da Costa Lima, Arquiteto Vilia Nova Artigas e Camprestre não estão emparedados (…) Quando há espaço suficiente, a plantação de grama permite fazer campos de futebol. Daqui até a margem direita da Avenida Campestre há quatro campo de futebol (…).  No caso do Bandeira, só resta emparedar para fazer o viaduto e a rotatória. Mas dali para cima, tudo desemparedado, respeitando 30 metros, e gramadão, gramadão e gramadão, campinhos de futebol. Fica mais bonito, plasticamente melhor, serve para o lazer”. 


Com essa escolha, na urbanização de fundo de Vale do Córrego Segredo a prefeitura canalizou 760 metros, a partir de julho de 2001. Em julho de 2001 Giroto declarou que a obra, junto com a extensão da Geisel, custou R$ 13,2 milhões.


Ok, mas faltou combinarem tudo isso com a natureza. Além disso, o crescente asfaltamento de Campo Grande contribuiu para o aumentar o calor na cidade e influir no volume de chuvas. As canalizações ficaram pequenas, e a água vaza por cima.


De lá para cá, o que ocorre no trecho é bem conhecido em Campo Grande. Enchentes, desabamento da pista, interdição. Como também são dramaticamente conhecidas as enchentes do córrego do Prosa, na avenida Fernando Corrêa da Costa.


Giroto responsabilizou a mudança de clima
Em março de 2010, ao comentar as enchentes recorrentes na área, secretário estadual de Obras do MS, Giroto afirmou: “Tenho ciência do que está acontecendo, fui secretário de Obras do município e o fato é que os tubos e canais que passam sob ruas e avenidas estão subdimensionados. O volume de cheia atual tem um poder de concentração muito mais rápido e que nós, engenheiros, não estávamos preparados para oferecer uma solução. Esses tubos foram dimensionados com dados referentes à média de precipitação pluviométrica dos últimos 50 anos, agora esses números estão mudando, está chovendo muito mais em menos tempo, então vamos nos preparar para os próximos 50 anos”.

Jornal Midiamax