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Pesquisadoras conhecem Corumbá e avaliam candidatura de Geoparque

Elas estiveram por aqui há cerca de 550 milhões de anos e, hoje, despertam um grande interesse geológico. Fósseis da forma de vida mais antiga já conhecida na América do Sul encontram-se na cidade de Corumbá. Descobertos em 1982, por uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Detlef Walde, do Instituto de Geociências (IG) da […]

Arquivo Publicado em 21/06/2011, às 16h07

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Elas estiveram por aqui há cerca de 550 milhões de anos e, hoje, despertam um grande interesse geológico. Fósseis da forma de vida mais antiga já conhecida na América do Sul encontram-se na cidade de Corumbá. Descobertos em 1982, por uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Detlef Walde, do Instituto de Geociências (IG) da Universidade de Brasília (UnB), os fósseis do pequeno animal invertebrado recebeu o nome de Corumbella weneri.

Os locais onde eles podem ser encontrados são chamados de sítios paleontológicos e fazem parte importante do Geoparque Estadual Bodoquena-Pantanal, criado em 2009, que se submeteu à consulta para integrar à Rede Global de Geoparques sob os auspícios da Unesco.

Um desses sítios está localizado na região do Eco Parque da Cacimba, no bairro Cervejaria, onde duas pesquisadoras à serviço da Rede Global de Geoparques estiveram na tarde de segunda-feira, 20 de junho, para conhecer de perto as potencialidades do local.

A alemã, Sylvie Giraud, e a francesa, Marie Luise Frey, foram acompanhadas por integrantes do Iphan (Instituto do Patrimônio Artístico e Arquitetônico Nacional), do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Corumbá. Na equipe, também esteve o geólogo do Instituto de Geociências da USP, Paulo Boggiani.

A visita atraiu a curiosidade da população local, sobretudo das crianças, que estimuladas pela novela das 19 horas, “Morde e Assopra”, na qual parte do enredo se desenvolve mostrando as atividades da paleontóloga Júlia, interpretada pela atriz Adriana Esteves, queriam saber onde se encontrava o “osso do dinossauro”.

O surpreendente para os pequenos moradores dos arredores foi descobrir que a forma de vida que ali se registrou, nos paredões de rochas calcárias, é muito mais antiga do que a dos grandes répteis. Esse interesse da comunidade local é ponto positivo, segundo a pesquisadora Sylvie Giraud, para que o Geoparque Bodoquena-Pantanal se integre à Rede Internacional com os auspícios do Unesco.

“Para um Geoparque ser classificado como integrante de Rede Global de Geoparques com o auspício da Unesco, o território deve ser muito impactante como herança geológica. E devemos usar essa herança para ajudar a população a melhorar a vida das pessoas para desenvolver atividades e contribuir para o sistema de desenvolvimento. Um exemplo, usando a geologia para fazer mais turismo, para criar mais empregos e educar as crianças para torná-las mais orgulhosa e despertar a consciência do lugar em que vivem”, comentou.

A dupla de pesquisadoras ainda conheceu a manifestação do Banho de São João na noite de segunda na ladeira Cunha e Cruz onde festeiros e bailarinos da Oficina de Dança da Fundação de Cultura do Pantanal, apresentaram uma simulação do que acontece na noite do dia 23 para 24 de junho na cidade.

Depois, elas seguiram para um encontro com o prefeito de Corumbá, Ruiter Cunha de Oliveira, no Centro de Convenções do Pantanal, no Porto Geral. Na manhã desta terça-feira, 21 de junho, conheceram as atividades desenvolvidas pela escola de artes Moinho Cultural Sul-Americano.

O que é um Geoparque?

Um Geoparque é uma região de livre acesso com limites bem definidos, envolvendo um número de sítios (geossítios ou geosites) do patrimônio geológico-paleontológico de especial importância científica, raridade ou beleza que é suficientemente grande para gerar atividade econômica – notadamente através do turismo. O conceito foi criado para relacionar as pessoas com o seu ambiente geológico-paleontolológico e geomorfológico. Tem de prover pela educação ambiental, treinamento e desenvolvimento de pesquisa científica nas várias disciplinas das Ciências da Terra, e dar destaque ao ambiente natural e às políticas de desenvolvimento sustentável; deve ser proposto por autoridades públicas, comunidades locais e interesses privados agindo em conjunto.

Jornal Midiamax