Nesse momento, é difícil encontrar alguém pelas ruas de Campo Grande que não saiba da chegada do ex-chefe do tráfico de drogas da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o ‘Nem’. O criminoso foi transferido do Rio de Janeiro para o presídio Federal de Campo Grande e chegou por volta das 12h20 deste sábado (19).

‘Nem’ deverá ser o preso de número 114 na Penitenciária de Segurança Máxima da capital de Mato Grosso do Sul. E, pelo que tudo indica, terá companhia de outros ‘famosos’ líderes do tráfico de drogas do Rio de Janeiro. Em Campo Grande, ‘Nem’ vai ficar em uma cela individual e poderá sair sozinho para o banho de sol, sem contato com outros presos.

As primeiras informações dão conta que o traficante não terá TV nem rádio e será filmado por várias câmeras de segurança. As principais lideranças do crime organizado no Rio estão espalhadas pelos presídios federais brasileiros. Mas ‘Nem’ poderá ser ‘vizinho’ de Elias Maluco, um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, que também está em Campo Grande.

Junto com ‘Nem’, vieram ainda, Anderson Rosa Mendonça, o Coelho; Valquir Garcia dos Santos, o Carré; e o ex-policial militar Flávio Melo dos Santos.

A voz do povo

Pelo visto, a população não está ‘nem’ tranqüila e ‘nem’ é favorável à transferência polêmica de ‘Nem’ e sua turma para Campo Grande.

Pelas ruas da cidade, a opinião da população não poderia ser outra. “É muito perigoso sim, a gente sabe qual é o ‘currículo, o histórico’ dele. Mesmo preso, pode trazer mais violência para nosso estado”, falou o empresário Anderson Romero.

“Pra que trazer mais traficante pra cá, já tá cheio aqui. Tinha que ser mandado pra outro lugar e não pra nossa cidade”, criticou o armador de ferragens, Severino Francisco de Lima.

A preocupação da sociedade se justifica. Nos últimos cinco anos, foram incineradas mais de ‘70 toneladas de drogas no estado’, sendo ‘25 toneladas’ incineradas somente em 2011. Não podemos esquecer também que Mato Grosso do Sul é uma das principais rotas do tráfico no Brasil.

As figuras do tráfico em Campo Grande

Para o mesmo presídio, já vieram ‘Alemão’, ‘Juan Carlos Abadia’ e ‘Fernandinho Beira-Mar’. Esse último já passou por várias penitenciárias, atualmente está em Mossoró, Rio Grande do Norte.

Além de Elias Maluco, está também na cidade, Sandra Helena Gabriel, a ‘Sandra Sapatão’, do Jacarezinho. Lembrando que pelo menos sete homens (entre eles, um policial) que faziam parte de uma ‘milícia’, no Morro do Macaco, também do Rio de Janeiro, estão no mesmo Presídio Federal, a nova casa de ‘Nem’.

Ao todo, 413 pessoas estão espalhadas pelos Presídios Federais do Brasil, a milhares de quilômetros das suas cidades de origem. Para as autoridades de segurança, isso ocorre por causa da ‘incapacidade dos Estados de origem’ em manter seus presos isolados e longe do crime.

Mega operação

A operação de transferência do traficante ‘Nem’ contou com forte esquema de segurança na manhã deste sábado (19). Ao todo, 40 inspetores penitenciários do Grupamento de Serviço e Escolta e 11 viaturas da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária escoltaram o criminoso que deixou o complexo penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio, por volta de 6h15.

Segundo especialistas, manter o traficante longe do Estado (Rio de Janeiro) é uma maneira de tentar evitar que ele continue comandando o crime de dentro dos portões da Justiça.

Até a manhã da sexta-feira (18), autoridades de Mato Grosso do Sul não confirmaram a vinda de ‘Nem’ para Campo Grande. “Existe sim a possibilidade dele vir pra cá. Ou pode ir também pra outros Presídios de Segurança Máxima que se enquadram nesse perfil, que recebem marginais de alta periculosidade”, falou o Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública, Vantuir Jacini.

O fato é que ele veio mesmo. Agora resta saber se ‘há ou não’ a possibilidade de ‘Nem’ continuar chefiando o tráfico de drogas, mesmo preso.

Com informações do R7.com