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Muçulmanos celebram martírio de descendente Maomé em Ponta Porã

Celebração foi uma das primeiras ocorridas na mesquita construída recentemente em Ponta Porã pelo Centro Islâmico da Fronteira.

Arquivo Publicado em 28/11/2011, às 14h54

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Celebração foi uma das primeiras ocorridas na mesquita construída recentemente em Ponta Porã pelo Centro Islâmico da Fronteira.

A comunidade islâmica da fronteira promoveu uma celebração especial para marcar a chegada do Ashoura, um período no qual se celebra o martírio de Hussein e seus familiares. A celebração especial ocorreu no sábado e vai durar 10 dias.


A data é celebrada pelos muçulmanos do mundo todo. São 14 séculos de tradição de uma celebração que visa relembrar o sacrifício de Hussein, neto do Profeta Mohamed, ou Maomé, morto na Batalha de Karbala, no Iraque.


A celebração é feita com a maioria das pessoas vestindo roupas pretas, simbolizando o luto pela morte de Hussein e seus familiares na Batalha de Karbala. Em Ponta Porã a celebração contou com a presença especial de um grande líder religioso, o Sheik Mohamed Al Kalil, que veio de Foz do Iguaçu especialmente para o evento. A mesquita foi especialmente decorada para a celebração, com os tons pretos se destacando.


“Hussein lutou não apenas contra um governo tirano e injusto. A luta dele simboliza o enfrentamento à opressão, à injustiça. Esta luta na verdade é constante e deve permear a conduta das pessoas nos dias de hoje. Independentemente da religião escolhida. Para nós, islâmicos, esta data é marcada por celebrações, que nos deixam mais perto de Deus”, afirmou Mohamed Al Kalil. “Se não fosse Hussein, a religião islâmica não seria mantida em sua pureza e autenticidade”, declarou Hussein Farhat, que auxiliou o Sheik na celebração.


A celebração começou com a leitura de um trecho do Alcorão, o livro sagrado dos islâmicos, correspondente à Bíblia para os cristãos.


A maior parte da celebração foi realizada na língua árabe. Nela o sheik relembra o martírio de Hussein, enaltecendo sua luta contra a tirania e a opressão. No momento em que destacou a luta do neto do Profeta contra a injustiça, citou também líderes da religião cristã como Moises e Jesus Cristo. “A exemplo de Hussein, todos eles lutaram contra a injustiça e a tirania. Por isso merecem ter seus atos enaltecidos pela humanidade”, enfatizou.


O Sheik também repassou conceitos a respeito dos valores, especialmente éticos, que devem nortear a conduta das pessoas na sociedade.


A celebração foi uma das primeiras que reuniu a comunidade islâmica da fronteira na mesquita recentemente construída em Ponta Porã pelo Centro Islâmico da Fronteira. Na região acredita-se que existem mais de 300 famílias árabes estabelecidas tanto em Ponta Porã quanto em Pedro Juan Caballero. A maioria veio do Líbano.

Jornal Midiamax