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Lideranças indígenas denunciam violência e criticam omissão do governo

O I Encontro dos Acampamentos Indígenas de Mato Grosso do Sul, ocorrido de 12 a 14 de novembro contou com a presença de mais de 300 pessoas e, como resultado, encaminhou ao governo um documento no qual denuncia a presença de pistoleiros que ameaçam as famílias do acampamento Guaivyri, em Amambai por conta da demarcação de […]

Arquivo Publicado em 15/11/2011, às 15h53

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O I Encontro dos Acampamentos Indígenas de Mato Grosso do Sul, ocorrido de 12 a 14 de novembro contou com a presença de mais de 300 pessoas e, como resultado, encaminhou ao governo um documento no qual denuncia a presença de pistoleiros que ameaçam as famílias do acampamento Guaivyri, em Amambai por conta da demarcação de terras.  



Os indígenas consideram que o governo está sendo omisso, lembrando os casos dos assassinatos dos dois professores Kaiowá, do acampamento Y Po’i, em Paranhos, que até hoje não foram solucionados. As lideranças sustentam que a demarcação é um direito e, além de não cumprir a Constituição, o governo tem colocado obstáculos no processo de regularização fundiária, o que vem aumentando cada vez mais a violência nos acampamentos. Segundo as lideranças, há investidas dos três poderes contra os direitos indígenas, pois só pode ser aberto grupo de trabalho para demarcação após permissão da presidência, enquanto o judiciário vem demonstrando agilidade em prender índios e não puniu qualquer assassino dos indígenas. 



Durante o encontro, representantes de vários acampamentos relataram casos de tortura e coação. É caso do Kaiowá, Enio Martins, de 19 anos, que foi agredido em um desses confrontos na retomada da terra Santiago Kue, em Naviraí. O jovem disse que já fizeram denuncias ao Ministério Público Federal (MPF), mas nada aconteceu. “Nós já fomos expulsos duas vezes da nossa terra e agora entramos de novo. Os pistoleiros bateram muito no meu primo e me furaram a perna. Hoje, a minha mãe já me ligou dizendo que eles estão de novo lá e nós viemos aqui para buscar uma resposta, porque estamos com medo”, contou. 



Com o encerramento do encontro, que aconteceu ontem (14), Enio não levou resposta alguma à sua comunidade, como esperava, pois não compareceram representantes do MPF e nem da Fundação Nacional do Índio (Funai), que foram previamente convidados. Neste primeiro encontro, realizado pelo Conselho da Aty Guasu, que reuniu lideranças Kaiowá, Guarani e Terena, os 34 acampamentos do estado declararam que estão dispostos a se unir cada vez mais na luta contra a violência e pela vida, que para eles não é possível sem a terra tradicional. O encontro contou com apoio e participação de acadêmicos indígenas do projeto Rede de Saberes e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).


Jornal Midiamax