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Golpe que matou segurança em boate da Capital não é do jiu-jitsu, afirmam mestres

Especialistas da arte falam da diferença entre praticar o jiu-jitsu e ser um lutador da modalidade, e dizem que morte não tem relação com o esporte. “O esporte não é de impacto, mas sim de imobilização e torção”, diz professor.

Arquivo Publicado em 19/03/2011, às 20h46

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Especialistas da arte falam da diferença entre praticar o jiu-jitsu e ser um lutador da modalidade, e dizem que morte não tem relação com o esporte. “O esporte não é de impacto, mas sim de imobilização e torção”, diz professor.

O golpe que matou o segurança Jéferson Bruno Gomes Escobar, de 23 anos, em uma boate da Capital na madrugada deste sábado, não é uma técnica proveniente do jiu-jitsu. A afirmação é dos mestres Diego Souto Maior Colino, praticante da modalidade há 11 anos, e Edemir Firmino, presidente da Federação Sul-mato-grossense de Jiu-Jitsu. Jeferson foi morto pelo praticante de jiu-jitsu Cristiano Luna Almeida, de 23 anos, após tentar tirá-lo da boate, onde ele estava incomodando alguns funcionários.


“Dentro do jiu-jitsu não existe nenhuma técnica ou golpe que possa causar lesões mais graves. O esporte não é de impacto, mas sim de imobilização e torção”, conta Diego, que é professor da modalidade há dois anos.


Segundo informações de testemunhas, Jéferson e Cristiano estariam em pé na hora do incidente, o que descarta a possibilidade de o golpe fatal ser do jiu-jitsu. “Nesse estado [em pé], o esporte não é aplicado”, frisa o professor.


De acordo com a polícia, Cristiano já tinha sido advertido pelos seguranças da casa para que parasse de provocar os trabalhadores, ou seria retirado do local. Ele chegou a dizer que não faria mais nada, mas em determinado momento passou a mão nas nádegas de um garçom. Quando o segurança chegou para expulsá-lo, Cristiano então aplicou dois golpes na região torácica de Jéferson.


“Nenhum professor de jiu-jitsu irá incentivar seus alunos a praticar o esporte fora do tatame, mas nós nunca poderemos controlar a vida do atleta, o que ele faz fora da academia”, afirma Diego. “Eu sou lutador e, mesmo em competições profissionais, nunca vi ninguém se lesionar ou chegar a óbito. Nós disputamos até o limite do esporte”, finaliza.


Presidente de federação não reconhece Cristiano como lutador


Edemir Firmino, presidente da Federação Sul-mato-grossense de Jiu-Jitsu, não reconhece Cristiano como lutador. Segundo o mestre, lutador de jiu-jitsu é aquele devidamente registrado na entidade, com aval de sua academia, e habilitado para participar de competições.


“Esse rapaz não faz parte do nosso quadro de lutadores. Ele é um praticante, não sei quantas vezes por semana ele pratica, mas para a federação ele não é um lutador de jiu-jitsu”, garante.


Edemir corrobora a opinião de Diego. Ele afirma que dentro do jiu-jitsu não existem técnicas como socos e chutes. Ele acredita que o caso foi uma fatalidade. “Veja os campeonatos de MMA (Artes Marciais Mistas, na tradução). Todos são treinados ao máximo e ninguém morre”, compara. Ele cita como exemplo ainda o lutador Anderson Silva, maior nome do MMA na atualidade que, segundo ele, “não teria a capacidade de matar uma pessoa com dois golpes”.


Em outra federação, autor nunca foi filiado


Em Mato Grosso do Sul, existe ainda a Federação de Jiu-Jitsu Esportivo. Segundo Nilson Pulgatti, presidente da entidade, Cristiano “passou em uma academia, treinou e saiu”, e não chegou a disputar nenhum campeonato oficial pela federação.


“Se a Federação descobre que tem atleta brigando na rua, ele é banido e a equipe dele recebe uma punição de seis meses sem poder disputar qualquer competição”, conta Pulgatti.


(material editado às 20:20 para acréscimo de informações)

Jornal Midiamax