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Fábricas e escritórios desertos deixam Japão ante um desafio logístico

A atividade econômica segue em ritmo lento no Japão em consequência dos múltiplos problemas logísticos provocados pelo terremoto e a crise nuclear no país, onde a Bolsa registrou uma recuperação após dois dias de queda. Muitas fábricas, escritórios e lojas permanecem fechadas na terceira maior economia mundial, não apenas na região nordeste, devastada pela catástrofe, […]

Arquivo Publicado em 16/03/2011, às 13h36

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A atividade econômica segue em ritmo lento no Japão em consequência dos múltiplos problemas logísticos provocados pelo terremoto e a crise nuclear no país, onde a Bolsa registrou uma recuperação após dois dias de queda.


Muitas fábricas, escritórios e lojas permanecem fechadas na terceira maior economia mundial, não apenas na região nordeste, devastada pela catástrofe, mas também na área de Tóquio (centro-leste).


O oeste e o sul do arquipélago também estão afetados, mas um pouco menos, pelos problemas logísticos provocados pelo terremoto, os tremores secundários, e o tsunami.


A Toyota, maior montadora do mundo, manteve as 28 fábricas fechadas nos últimos dias e só deve retomar a produção de carros no dia 23 de março, na melhor das hipóteses.


Mas a empresa anunciou que na quinta-feira retomará a produção de autopeças em sete fábricas.


A gigante da eletrônica Sony também manteve as sete fábricas de produção do nordeste fechadas e pediu a quase todos os funcionários da sede em Tóquio que permanecessem em casa. Outras empresas da capital fizeram o mesmo.


Os trens regionais usados diariamente por milhões de moradores de Tóquio operavam de forma irregular, mas com uma leve melhora em relação à segunda-feira, quando apenas 20% do serviço funcionou normalmente.


As linhas do metrô do centro da cidade estão em operação, mas em um ritmo similar ao de um fim de semana.


Muitos dos 35 milhões de habitantes de Tóquio, pulmão econômico do Japão, evitam comparecer ao trabalho e andar pelas ruas diante da inquietação pela situação na central nuclear de Fukushima, distante 250 quilômetros da megalópole.


Os restaurantes de Tóquio, sempre lotados no horário de almoço, estavam praticamente vazios e, com exceção dos supermercados, muitas lojas pequenas também fecharam as portas por falta de clientes.


“Vou fechar como todos os outros, não tem ninguém”, afirmou com tristeza a vendedora de uma loja de acessórios para o lar em uma galeria de Tóquio.


O vendedor de frutas e verduras é mais feliz, já que muitas donas de casa fazem compras.


A companhia de energia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco), que abastece a região de Kanto (que inclui Tóquio e as prefeituras próximas), mantém os cortes planejados para evitar um apagão repentino em grande escala por falta de produção.


Várias empresas foram obrigadas a adaptar-se à situação, fechando as portas por algumas horas ao dia ou por toda a jornada.


Na frente energética, uma refinaria de petróleo da Cosmo Oil de Chiba (leste de Tóquio) continuava refém das chamas, cinco dias depois do terremoto que provocou um incêndio em um tanque de armazenamento da instalação, com uma capacidade de 220.000 barris diários.


A boa notícia do dia, na medida do possível, veio da Bolsa de Tóquio, que fechou em alta de 5,68% depois de perdas de 16% nos dois dias anteriores. Mas a alegria é relativa, já que a maioria dos ganhos veio de compras oportunistas de operadores que adquirem ações a preço baixo.


Boa parte dos pedidos veio de investidores estrangeiros. Os japoneses estão mais ocupados com os problemas do país. Os bancos, perto do fim do ano orçamentário, em 31 de março, estão praticamente parados.


Em uma tentativa de estimular a circulação monetária, o Banco do Japão elevou a 28 trilhões de ienes (245 bilhões de euros, 340 bilhões de dólares) a quantia disponibilizada para o mercado interbancário.

Jornal Midiamax