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Brasil possui “faixa de Gaza” no trânsito fronteiriço

A fiscalização do trânsito na fronteira com outros países precisa diariamente lidar com veículos “de ninguém”. Na cidade de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, foram registradas mais de 500 mil infrações de motos sem placas. A punição para aqueles que infringem as leis de trânsito visa tornar o transitar mais […]

Arquivo Publicado em 20/12/2011, às 13h48

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A fiscalização do trânsito na fronteira com outros países precisa diariamente lidar com veículos “de ninguém”. Na cidade de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, foram registradas mais de 500 mil infrações de motos sem placas.


A punição para aqueles que infringem as leis de trânsito visa tornar o transitar mais seguro. Mas e quando nem o efetivo de oficiais nem dispositivos eletrônicos conseguem conter o comportamento do motorista? Essa é a realidade nas fronteiras do Brasil com outros países, que lidam com motoristas que compram carros e motocicletas no Paraguai buscando impunidade das multas e impostos brasileiros.


Em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, divisa com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, a avenida Brasil tem quatro pistas: duas brasileiras e duas paraguaias. Lá a dificuldade do Detran/MS, responsável pela fiscalização, é manter os motoristas dentro da velocidade permitida e respeitando os sinais vermelhos. De janeiro de 2011 até a segunda semana deste mês, foram registradas 20.694 infrações cometidas por veículos de placas estrangeiras, 7.945 por carros sem placa e 520.933 infrações cometidas por motocicletas sem placa. 


Em Foz do Iguaçu, fronteira com Argentina e Paraguai, apresenta o mesmo problema: a chamada frota flutuante, ou seja, veículos estrangeiros, já somam 35 mil. Segundo Ali Hussein Safadi, Diretor de Trânsito e Sistema Viário do instituto de Transportes e Trânsito da cidade, o uso da tecnologia é muito importante no monitoramento do trânsito na fronteira. “Já usamos a tecnologia OCR há algum tempo. Desta maneira, conseguimos cadastrar os veículos estrangeiros que infringiram alguma lei brasileira. Na próxima oportunidade que este carro passar pelas vias monitoradas, será abordado, sendo obrigado a pagar a multa”, explica.


O diretor da FozTrans explica que a diferença entre as culturas influencia no trânsito. “Estima-se que Foz do Iguaçu abrigue 72 etnias diferentes. É claro que isso influencia no tráfego, cidadania e no comportamento do motorista. Estamos trabalhando com campanhas educativas também em espanhol, lembrando que as leis de trânsito são universais”, diz.


Ele completa: enfrentamos todos os problemas de trânsito de cidades que não são de fronteira: avanço de sinal vermelho, alta velocidade e desrespeito ao estacionamento rotativo. Tudo porque o motorista acredita que não será punido porque a placa é de outro país. Essas infrações correspondem entre 20% a 25% do montante de registros pleno.


Informações da NQM Comunicação.

Jornal Midiamax