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Americanas entregou vídeos editados sobre espancamento dentro da loja, diz advogada

Advogada que defende vigilante supostamente espancado dentro da filial de Campo Grande das Lojas Americanas denuncia manobra. Segundo ela, representantes mandaram à polícia cópias editadas das imagens que registraram a agressão dos seguranças contra o cliente.

Arquivo Publicado em 03/05/2011, às 18h35

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Advogada que defende vigilante supostamente espancado dentro da filial de Campo Grande das Lojas Americanas denuncia manobra. Segundo ela, representantes mandaram à polícia cópias editadas das imagens que registraram a agressão dos seguranças contra o cliente.

A filial de Campo Grande das Lojas Americanas encaminhou para a delegada Daniela Kades, do 1º Distrito Policial, um CD com imagens editadas e não as originais e completas como deveria ser para que a autoridade policial pudesse verificar as cenas captadas pelo circuito interno no dia que o vigilante Márcio Antônio de Souza, 33 anos, foi agredido por um segurança do estabelecimento, sob a suspeita de furto de um ovo de páscoa.

A informação sobre a tentativa de manipulação foi repassada a reportagem por meio da advogada de Márcio, Regina Bezerra. Segundo ela, a empresa mandou um DVD com corte na sequencia das cenas e a autoridade policial fez novo requerimento e, ai sim, foram encaminhados outro cinco DVDs, que estão em análise.

Questionada sobre o porquê da defesa ainda não ter representado contra o acusado das agressões, o segurança identificado como Décio, Regina Bezerra disse que está primeiramente fazendo um acompanhamento dos trabalhos da delegada Daneila Kades.

Depois disto vai aguardar pela perícia da sala onde Márcio afirma ter sofrido as agressões, que deveria ter ocorrido na tarde desta terça-feira, mas por conta dos peritos terem ido para examinar o local de um arrombamento – talvez isto só ocorra amanhã.

“No momento exato vamos representar contra ele (segurança). Crime de tortura não precisa de representação, mas a injúria qualificada, no caso pela discriminação racial, sim”, ressalta a advogada Regina Bezerra.

A delegada Daniela Kades confirmou que o ovo de páscoa que Márcio carregava no capacete quando foi abordado pelo segurança, quando passava pelo túnel ornamentado com chocolates, ainda não foi entregue pela loja para que pudesse ser feita coleta de impressão digital e comparação do código de barras.

O caso

Márcio Antônio disse que no dia 23 de abril, véspera de páscoa, foi até a frente da Americanas (Dom Aquino) entregar um ovo de páscoa para a filha de 11 anos. Feita a entrega ele resolveu atravessar a loja para buscar sua moto que estava estacionada do outro lado (Marechal Rondon). Quando passava pelo túnel ornamentado com chocolates, foi abordado por um segurança do estabelecimento que acreditava que o rapaz tinha furtado um ovo, pois carregava um no capacete que estava em seu cotovelo.

O rapaz disse que foi levado para uma sala onde foi violentamente agredido. Ele teve o nariz quebrado em três partes e ficou com um dos olhos se abrir até esta terça de manhã. “Já consigo abrir o olho um pouco, ma a visão está bastante ruim”, relata.

Márcio vai retornar à Santa Casa de Campo Grande na próxima sexta-feira para ver se consegue marcar a cirurgia para reconstrução de seu nariz. A operação ainda não foi realizada devido ao inchaço no local.


Jornal Midiamax