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Rio Paraguai, em Ladário, subiu 6 centímetros em março

A estabilidade das águas na planície pantaneira em março – o rio Paraguai subiu apenas seis centímetros do dia 1º até ontem, dia 30, na régua da Marinha, em Ladário (3,19 metros) – não é parâmetro para se prever a intensidade da cheia. No alto Pantanal, em Mato Grosso, ocorre forte inundação, e essa água […]

Arquivo Publicado em 31/03/2010, às 16h25

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A estabilidade das águas na planície pantaneira em março – o rio Paraguai subiu apenas seis centímetros do dia 1º até ontem, dia 30, na régua da Marinha, em Ladário (3,19 metros) – não é parâmetro para se prever a intensidade da cheia. No alto Pantanal, em Mato Grosso, ocorre forte inundação, e essa água chegará em abril e maio, quando o Paraguai deverá passar dos 4 metros em Ladário (nível de alerta).

Chove diariamente nas cabeceiras, acima de Cáceres (MT), e o volume dessa água concentra-se na divisa de Corumbá com Poconé (MT), região entre o Parque Nacional do Pantanal e as lagoas Gaíva e Mandioré. A régua da fazenda Bela Vista do Norte, situada no lado sul-mato-grossense, indica que o rio Paraguai subiu mais de 70 centímetros este mês.

Sobrevoos à região revelam que as águas correm rapidamente para o Sul, a partir de Cáceres, e ameaça estradas e diques. O Paraguai já transborda em alguns trechos, como na localidade de Descalvados, antiga fazenda de pecuária que produzia charque e caldo de carne para a Europa, no início do século 20. Os campos estão alagados, não se observa boi e aves.

Nova previsão

O rio Paraguai concentra camalote no seu leito, mais um indicativo de que ocorrem mudanças hídricas, inclusive na qualidade da água. Pescadores ouvidos pela reportagem, entre Cáceres e Corumbá, relatam a dificuldade para a captura do peixe devido a água escura, prenunciando uma dequada, que ocorre geralmente quando o nível do rio chega a 3,5 metros.

Com base no comportamento do Paraguai em fevereiro, a Embrapa Pantanal estimou que o pico da cheia, em Ladário, seja de 5,19 metros. Esse nível supera as enchentes de 2009 e 2008, com probabilidade de atingir os 6 metros, dependendo das chuvas. Em abril, o pesquisador Ivan Bergier, responsável pelas avaliações hidrológicas, fará uma previsão mais precisa.

Estrada Parque

Por enquanto, a subida das águas ainda não prejudica a pecuária no baixo Pantanal. Os fazendeiros das subregiões do Paiaguás e da Nhecolândia, mais atingidas, informam que grande parte de suas terras continua seca, com alagados localizados por influência principalmente do afluente Taquari. O gado continua nas invernadas e bebe água dos açudes.

Na região de entorno da Estrada Parque, a leste de Corumbá, a subida repentina das águas, inundando os campos, é consequência dos transbordamentos ocorridos nos rios Miranda, Abobral e Negro, em dezembro e janeiro. O rio Paraguai já saiu da calha no atracadouro da balsa, no Porto da Manga, mas ainda não ameaça a estrada ecológica.

Jornal Midiamax