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Mortes por Alzheimer aumentam seis vezes em dez anos no Brasil

As mortes causadas pelo mal de Alzheimer, uma doença neurológica, cresceram quase seis vezes na última década. Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (20) pela ABN (Academia Brasileira de Neurologia) mostra que, de 1999 a 2008, o número de vítimas no país saltou 486%, de 1.343 para 7.882. O Dia Mundial de Combate ao Alzheimer acontece […]

Arquivo Publicado em 21/09/2010, às 00h35

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As mortes causadas pelo mal de Alzheimer, uma doença neurológica, cresceram quase seis vezes na última década. Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (20) pela ABN (Academia Brasileira de Neurologia) mostra que, de 1999 a 2008, o número de vítimas no país saltou 486%, de 1.343 para 7.882. O Dia Mundial de Combate ao Alzheimer acontece nesta terça-feira (21).


O relatório da ABN indica que os maiores obstáculos para conter o avanço da doença são a falta de diagnóstico correto e precoce, além do acesso ao tratamento, que é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).


– Em meio às dificuldades de identificação por parte de familiares e, por vezes, de médicos, a doença de Alzheimer apresenta impactos cada vez mais avassaladores sobre a sociedade brasileira.


As maiores vítimas do mal de Alzheimer, ainda segundo o levantamento da ABN, são as pessoas brancas e aquelas que residem no Sudeste. Apesar disso, a região em que o problema mais cresceu no período foi a Norte, com aumento de 2.050% entre 1999 e 2008, seguida por Nordeste (899%), Centro-Oeste (791%), Sudeste (567%) e Sul (470%).


Segundo a neurologista Marcia Chaves, coordenadora de uma campanha que a ABN realiza em todo o país para alertar sobre o problema, os brasileiros levam três anos para conseguir o diagnóstico certo da doença.


Essa demora acontece, de acordo com Marcia,  porque alguns sintomas da doença, como perda de memória e dificuldades de planejamento e raciocínio, são mais associados à velhice do que ao Alzheimer.


– 70% dos doentes com demência recém-diagnosticada têm doença de Alzheimer de leve a moderada, mas apenas 52% recebem a prescrição de uma medicação específica no primeiro atendimento.


A doença


O mal de Alzheimer altera a capacidade cognitiva das pessoas, em funções como memória, linguagem, planejamento e habilidades visuais-espaciais, provocando mudanças de comportamento. As principais alterações são: apatia, agitação, agressividade e delírios.


Quem sofre com a doença acaba, progressivamente, limitando suas atividades profissionais, sociais, de lazer e até mesmo domésticas. Segundo a ABN, o mal de Alzheimer não é consequência do envelhecimento.


O primeiro sintoma de que a pessoa pode estar com a doença é a perda de memória, sobretudo de fatos recentes. Na sequência, a linguagem pode ser prejudicada, surgindo em seguida a desorientação de tempo e espaço, chegando à fase avançada, quando o paciente tem alucinações, perda do controle de necessidades fisiológicas e dificuldades para se alimentar.


Certas medidas podem ajudar a preservar a saúde mental e diminuir o risco de a pessoa ter a doença: os médicos recomendam atividade física regular, bom sono e cuidados com os medicamentos.

Jornal Midiamax