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Mãe que matou filho de 1 anos não soube lidar com a pressão, avalia psicóloga

A morte do bebê de 1 ano e 1 mês, Marcos Antônio Toledo de Almeida, com oito facadas dadas pela mãe, uma adolescente de 15 anos, chocou a população de Corumbá. A investigação policial concluiu que a garota matou a criança, pois acreditava que se livraria de algo que considerava “empecilho” em sua vida. O […]

Arquivo Publicado em 25/03/2010, às 23h18

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A morte do bebê de 1 ano e 1 mês, Marcos Antônio Toledo de Almeida, com oito facadas dadas pela mãe, uma adolescente de 15 anos, chocou a população de Corumbá. A investigação policial concluiu que a garota matou a criança, pois acreditava que se livraria de algo que considerava “empecilho” em sua vida. O bebê lhe trazia cobranças familiares e responsabilidades que ela não aceitava. A psicóloga Sílvia Araújo Freire avaliou o que pode levar uma adolescente a praticar um ato de tamanha crueldade. “A fase da adolescência é de transição. A mãe de Marcos pulou fases de sua vida e a responsabilidade que foi imposta com a chegada desta vida lhe fizeram uma pressão psicológica enorme com a qual ela não soube se comportar. Se esta adolescente tivesse recebido orientações de como proceder nesta fase, se ela fosse orientada de que a criança não a atrapalharia, com certeza esse crime teria sido evitado”, afirmou Sílvia.

A gravidez na adolescência é uma situação complicada, como contou a psicóloga, pois a jovem se encontra com diversos sonhos a planejar e realizar. Os pais de certa forma a acompanham nessa viagem e quando a “barriga aparece”, os sonhos se desmontam e falta apoio. A fase que podia ser encarada de uma forma tranquila passa a ser um pesadelo. “O diálogo é fundamental em casa. Com o diálogo, evita-se até a gravidez. O primeiro passo é evitar que as fases se adiantem, o fundamental é ter esclarecimento. Se em casa há um diálogo aberto de formas de prevenção, se os adolescentes se sentirem seguros para sanar suas dúvidas, com certeza, diversos transtornos serão evitados, não apenas de gravidez, mas de drogas e outros diversos problemas”, disse a especialista ao Diário.

Se a gravidez aconteceu, o que se pode fazer é manter o apoio, como orientou a psicóloga. “Quando a gravidez indesejada acontece, o essencial é que se ampare esta jovem. Deve-se explicar e aplicar um trabalho psicológico para que ela aceite esta nova vida. Esta adolescente deve compreender que há um ser que irá depender dela, mas nem por isso, esta nova vida lhe tirará o prazer de conhecer coisas novas, nem o prazer de progredir na vida. Ela deve entender que há sim uma responsabilidade e nessa hora o apoio da família em ajudar essa jovem é fundamental”, argumentou Sílvia Freire.

Pais: espelhos a serem seguidos

“Os pais são a primeira referência de vida que as crianças possuem. Com certeza, a forma como eles agirem e se comportarem, assim agirá o filho. Se um pai oferece diálogo, coloca para o filho que em qualquer situação a família irá apoiá-lo e ajudá-lo, essa criança cresce com um vínculo afetivo forte que em qualquer caso de dúvida, ela não hesitará em recorrer à família. Porém, se a família se encontra em um quadro de desestabilidade, onde não há um diálogo, com certeza essa criança ou adolescente, procurará por um apoio fora da família e nessa hora, corre um grande risco de cair nos perigosos grupos afetivos, que podem levar à droga, à prostituição e ao crime. A família é base do desenvolvimento de qualquer cidadão”, destacou Sílvia.

A psicóloga orienta que os pais estejam sempre atentos aos relacionamentos dos filhos, procurando sempre trazer os amigos para perto, verificando quem são e de onde são. “É preciso impor limites e regras. Quando colocamos limites e impomos regras às crianças e adolescentes, estamos ensinando-os a viver em sociedade. Sabendo que há regra a ser seguida em casa, habitua-se facilmente às regras da sociedade, em que todos possuem direitos, mas também deveres e que se esses deveres não forem cumpridos ou não forem respeitados, há uma penalidade a ser aplicada”, observou.

Se a razão termina, entram os gritos e as agressões. “Quando um pai ou mãe chega ao ponto de dar ‘uns tapinhas’ no filho é porque faltou diálogo, faltou entendimento. As agressões acontecem quando as etapas de prevenção e orientação falharam ou não ocorreram. Diversas vezes, a palavra, a conscientização, doem muito mais e realizam uma eficácia maior do que a agressão. Os tapinhas machucam o corpo, mas não refletem em nada na conscientização e no respeito. As agressões indicam que faltou diálogo entre toda a família”, concluiu.

Jornal Midiamax