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Estado paga R$ 10 mil por mês para advogado de André por aluguel de prédio com problemas

Prédio onde funciona uma das principais delegacias de Campo Grande apresenta falhas em quase toda a estrutura

Arquivo Publicado em 24/09/2010, às 11h45

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Prédio onde funciona uma das principais delegacias de Campo Grande apresenta falhas em quase toda a estrutura

O imóvel onde funciona o Cepol (Centro Especializado de Polícia), um dos principais pontos de atendimento policial à população de Campo Grande, tem sérios problemas que dificultam o trabalho dos servidores públicos. Parte do forro está danificada e já caiu em várias salas, há vazamentos e as instalações hidráulicas não funcionam direito.

Na manhã desta sexta-feira (24) a reportagem esteve no Cepol e flagrou poças de água da chuva em algumas salas. Além disso, os policiais ainda precisam levar água potável para beberem no local de trabalho. A mobília também está em péssimas condições.

Mas o aluguel pago pelo prédio não condiz com o estado do imóvel. O dono, que alugou o lugar para o ótimo cliente que é o Governo pela bagatela de R$ 10.680,00 mensais é Paulo Tadeu Haendchen, advogado de André Puccinelli e da coligação “Amor, Trabalho e Fé”.

O locatário do Governo que presta serviços particulares para o governador foi procurado pela reportagem para explicar porque o imóvel alugado está em péssimas condições através da atendente no escritório de advocacia dele e pelo telefone. Foi deixada mensagem gravada na secretária eletrônica ontem (23) à tarde, mas até o momento não houve retorno.

Contrato de R$ 128 mil

O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), desembolsa mensalmente um aluguel superior a R$ 10 mil ao advogado Paulo Tadeu Haendchen, pela locação do imóvel, localizado na Avenida Ceará, em Campo Grande. No Cepol, além do próprio Centro Especializado de Polícia, funcionam delegacias especializadas.

Além de locar o imóvel para o Estado, Paulo Tadeu Haendchen também advoga nas causas pessoais do governador André Puccinelli, bem como para a Coligação Amor Trabalho e Fé, que tenta reelege-lo no pleito deste ano.

O teor do contrato entre Governo do Estado e o advogado Paulo Tadeu foi divulgado no Diário Oficial de número 7352 de 2 de dezembro de 2008, em sua página 09. O site da Polícia Civil (www.pc.ms.gov.br) também publicou a decisão em sua página no mesmo dia. Dividido em três cláusulas, o contrato detalha a área do prédio, sua finalidade, prazo de vigência válido por doze meses, ou seja, até 31 de outubro de 2009, podendo ser prorrogado pelo mesmo período mediante termo aditivo.

O valor global pelo período de 12 meses foi de R$ 128.160,00 (cento e vinte e oito mil e cento e sessenta reais), com valor mensal da locação de R$ 10.680,00 (dez mil seiscentos e oittenta reais), com laudo assinado pela Junta de avaiação do Estado/SEOP. A data de assinatura do contrato data de 1 de novembro de 2008.


“Caindo aos pedaços”

O imóvel apresenta vários problemas estruturais como infiltrações no teto, falta de limpeza da caixa de água e problemas no sistema hidráulico, segundo um servidor público que trabalha no local, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

Um dos problemas recentes, que obrigou até o fechamento do prédio foi o estouro de encanamento, que deixou o local sem água por mais de duas semanas e com atendimento precário, pois nem mesmo o serviço de limpeza era possível na ocasião.

Funcionários e comunidade ficaram até mesmo sem poder utilizar os banheiros, que passaram a exalar forte mau cheiro. Os servidores passaram a utilizar os sanitários de um posto de gasolina localizado nas proximidades, ou seja, abandonavam temporariamente seus postos de atendimento.

Depois disto, o prédio foi fechado e todo atendimento repassado para as instalações da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), localizada na Rua Padre João Crippa.

Os policiais civis do Cepol (Centro Especializado de Polícia) ainda sentem os reflexos da falta de água que aconteceu entre o final do mês de julho e começo de agosto, quando o prédio precisou suspender atendimento por estouro de um cano, nas proximidades do cavalete medidor.

Quase dois meses depois de providenciado o conserto, os funcionários ainda precisam comprar água mineral ou levam de suas casas para beber durante o expediente. Embora o sistema de fornecimento esteja em pleno funcionamento, o funcionalismo revela que a limpeza da caixa de água não é feita há muito tempo.

Além da caixa de água que pode estar contaminada, os servidores também revelam que “não confiam na higiene das tubulações, pelas condições físicas do prédio”.

O prédio onde está o Cepol abriga ainda a DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), a DECAT (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista); DEDFAZ (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações Falimentares e Fazendários); DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), DEOPS (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social) e Polinter (Delegacia Especializada de Polinter e Capturas).

Diariamente, aproximadamente 100 pessoas passam pelo Cepol e especializadas. Por quase duas semanas o prédio ficou com atendimento prejudicado por problemas hidráulicos que impossibilitaram, inclusive, o serviço de limpeza.

Veja na íntegra a página do diário Oficial que traz o teor do contrato clicando aqui.

Jornal Midiamax