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Empreiteira implicada na Uragano teve obra suspensa na Capital por “divergência de valores”

A CGR é suspeita de participar de esquema de corrupçãoem Dourados. Em Campo Grande, as obras ficaram suspensas por mais de 1 ano após o Tribunal de Contas da União questionar aprática de preços acima dos praticados no mercado.

Arquivo Publicado em 17/09/2010, às 19h17

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A CGR é suspeita de participar de esquema de corrupçãoem Dourados. Em Campo Grande, as obras ficaram suspensas por mais de 1 ano após o Tribunal de Contas da União questionar aprática de preços acima dos praticados no mercado.

A obra do terminal intermodal de cargas de Campo Grande, prevista para ser entregue no fim do ano, tem como executora a CGR Engenharia cujo dono Carlos Gilberto Recalde foi preso na operação “Uragano” deflagrada em Dourados, neste mês, pela Polícia Federal. A empresa é suspeita de participar de esquema de direcionamento e superfaturamento em licitações. Em Campo Grande, as obras do terminal chegaram a ficar suspensas por mais de 1 ano após o TCU (Tribunal de Contas da União) constatar indícios de sobrepreço, ou seja, prática de preços acima dos praticados no mercado.

A paralisação ocorreu em agosto de 2008 e as obras só foram retomadas em outubro de 2009, depois que a prefeitura, por exigência do TCU, sanou as irregularidades. Na ocasião da assinatura para a retomada das obras, o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), defendeu a empresa. “Não houve sobrepreço, mas sim diferentes interpretações”, afirmou Nelsinho.

Na época cogitou-se nova licitação, mas o prefeito manteve a CGR como executora. Na mesma solenidade de retomadas das obras, o secretário de Infraestrutura de Campo Grande, João Antonio de Marco, disse que alguns preços de fato tinham sido modificados como queria o TCU. “Estamos desde o ano passado paralisados, mas agora todos os preços estipulados estão de acordo com as normas exigidas pelo Tribunal de Contas. As divergências ocorreram em critério de composição, porém entramos em um consenso”, explicou o secretário.

A CGR foi a maior doadora da campanha à reeleição de Nelsinho nas eleições de 2008. A empresa mantém outros contratos com a prefeitura que, conforme o chefe do Executivo municipal, não sofrerão qualquer vistoria ou mudanças devido ao fato de a empreiteira aparecer em uma operação da PF. Não há, segundo ele, qualquer suspeita em relação ao trabalho da construtora em Campo Grande. “Aqui não tem nada de errado”, disse ao deixar reunião com seu secretariado na Seintrha (Secretaria de Infra-Estrutura) na manhã de hoje.

As obras

As obras estão andamento e a previsão é de inaugurar o local ainda no primeiro trimestre do ano que vem. Localizado no trecho entre a BR-163, na saída para São Paulo, e BR-060, na saída para Sidrolândia, o terminal tem área de 65 hectares e infra-estrutura para transporte intermodal para atender a logística rodoviária, ferroviária e aéreo-viária.

Os investimentos somam R$ 23.410.057,02. A última informação veiculada no site oficial da prefeitura sobre o assunto, em 5 de agosto de 2010, informava que R$ 13.721.428,36 já estavam liberados. O complexo inclui seis quilômetros e meio de pavimentação, construção de 2,3 km de ramal ferroviário, estacionamento para 290 vagas para caminhões e 700 metros de galerias pluviais. Também serão construídas além de redes de água, iluminação e esgoto.

A infra-estrutura será do município e os terminais de carga da iniciativa privada. Conforme a prefeitura, o empreendimento deve reduzir o custo logístico da cidade e do Estado, tornando-os mais competitivos com outros centros. Vai, também, diminuir a burocracia das operações de importação e exportação. Procurada pela reportagem, a CGR informou por meio da assessoria jurídica que não iria comentar o assunto. (Atualizada às 17h para acréscimo de informação. O termo “sobrepreço” foi substituído por “divergência de valores” por indicação da assessoria de comunicação da PMCG)

Jornal Midiamax