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Candidato suspeito de ligação com facção gastou R$ 5 mi

O candidato a deputado federal em São Paulo Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (PSC), suspeito de lavar dinheiro para uma organização criminosa, já gastou em sua campanha cerca de R$ 5 milhões, afirmou nesta quarta-feira (15) o delegado da Polícia Civil Raul Godoy. Ney responderá pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem […]

Arquivo Publicado em 15/09/2010, às 19h59

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O candidato a deputado federal em São Paulo Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (PSC), suspeito de lavar dinheiro para uma organização criminosa, já gastou em sua campanha cerca de R$ 5 milhões, afirmou nesta quarta-feira (15) o delegado da Polícia Civil Raul Godoy. Ney responderá pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e, eventualmente, “repasse de dinheiro oriundo do tráfico de entorpecente para uma organização criminosa atuante no Estado”.


O valor declarado pela polícia que o candidato gastou ultrapassa o teto de despesas informado por à Justiça Eleitoral, de R$ 4 milhões. Na prestação de contas parciais, Ney disse ter gasto valores bem abaixo, pouco mais de R$ 32 mil. De acordo com a mesma declaração, ele teria arrecadado R$ 200 mil no primeiro mês de campanha.


Uma operação envolvendo 80 policiais cumpriu hoje 13 mandados de busca e apreensão que resultaram no confisco de documentos, CPUs e notebooks. O candidato foi até a Delegacia Seccional de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Entre os bens apreendidos está uma Ferrari. O depoimento do candidato foi adiado até que a documentação apreendida hoje pela polícia de Taboão da Serra seja analisada pela perícia.


De acordo com o delegado, Ney montou em nome de laranjas uma rede de empresas, incluindo 15 postos de gasolina, para lavar dinheiro para a facção, aumentar seu patrimônio e financiar a sua campanha política. A polícia estima que o candidato tenha R$ 50 milhões seu patrimônio, o que ele nega.


O delegado ainda disse ser “inevitável” suspeitar da lavagem de dinheiro tendo em vista as incompatilidades “econômico-financeiras” do patrimônio que ele apresenta. Além de dono de uma Ferrari, ano 2007, avaliada em R$ 1,5 milhão, ele mora em uma casa de R$ 2 milhões em Alphaville, uma das regiões mais valorizadas da região metropolitana de São Paulo. As suspeitas são de que sua campanha também seja financiada com esse dinheiro.


– Nós temos uma estimativa tranquila e segura de que ele já gastou entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.


O delegado disse ainda que “ a investigação” se iniciou com uma denúncia anônima, provavelmente de alguém que via a ostentação com que a campanha vinha sendo apresentada na região.


Em 2003, Ney foi preso em flagrante com uma metralhadora 9 mm, roubando malotes de uma transportadora de valores na região de Marília. Condenado em primeira instância, ficou preso por três anos, mas foi absolvido pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). As acusações eram receptação, roubo, porte de arma e formação de quadrilha.


A Polícia Civil já pediu o bloqueio dos bens e da conta corrente do candidato, além das empresas em nomes de laranjas e de uma em nome dele, a Kelph Factory. A Polícia Civil também pediu à Justiça a prisão temporária de Ney, o que não foi concedido por falta de documentos.

Jornal Midiamax