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Ari Artuzi não ‘perdoava’ cofres da prefeitura nem no período de recesso

Prefeito de Dourados, preso por corrupção, cobrava comissão do transporte escolar até nos meses que não tinham aulas

Arquivo Publicado em 06/09/2010, às 18h20

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Prefeito de Dourados, preso por corrupção, cobrava comissão do transporte escolar até nos meses que não tinham aulas

Nem no período de férias o prefeito de Dourados, Ari Artuzi, do PDT, preso desde quarta-feira por corrupção, deixava de encher o bolso com dinheiro arrecadado por meio de tramas fraudulentas. Ele cobrava 10% da empresa responsável em transportar alunos para zona rural.

O negócio era mais que rentável: ele pegava R$ 68 mil mensais do dono da empresa que explorava o serviço, inclusive no período de férias, quando sua cota era aumentada para R$ 340 mil.

A comissão imposta por Artuzi aparece por meio de um diálogo travado entre o ex-secretário do Governo do município Eleandro Passaia e o empresário Arnaldo de Souza Oshiro, um dos sócios da empresa GWA Transportes.

Passaia é um jornalista que, assessorado pela Polícia Federal, gravou as conversas que fortaleceram a denúncia que desdobrou num dos maiores escândalos políticos ocorrido em Dourados, a segunda maior potência econômica de Mato Grosso do Sul. Passaia era o homem de confiança do prefeito.

No relatório da Polícia Federal, o qual o Midiamax teve acesso, assim é narrada a participação de Artuzi na fraude contra o transporte escolar: “conversa de Eleandro Passaia e Arnaldo de Souza Oshiro, um dos sócios da Empresa GWA Transportes. Arnaldo afirma que o contrato de transporte escolar que a empresa mantém com a prefeitura é no valor de R$ 8.200.000,00 anual (R$ 680.000,00 por mês) e que desse valor dez por cento vai para o prefeito Ari Artuzi, e mesmo no período de férias, quando não há prestação de serviço, a prefeitura efetua o pagamento, pois a empresa devolve 50% para o prefeito”.

Note que ao menos por três meses durante o ano, período de férias escolar, Artuzi arrecada algo em torno de R$ 1 milhão com o transporte, serviço custeado não só por verba municipal, mas também por recurso estadual e federal.

Ainda na conversa de Passaia e o empresário, os dois “falam em marcar reunião para discutir o direcionamento da próxima licitação”.

Diz o relatório da PF: “Ao final da conversa Passaia fala que o vereador Marcelo Barros (candidato a deputado estadual pelo DEM) quer dez mil reais para não fazer oposição e Arnaldo diz que arrumará o dinheiro para Passaia pagar Marcelo Barros, em troca de este retirar a denúncia feita ao Ministério Público questionando o contrato que a GWA mantém com a prefeitura”.

Propina parcelada

O prefeito Artuzi, preso preventivamente numa das celas da 3ª Delegacia de Campo Grande, determinou que seus subordinados arrancassem dinheiro até de um projeto tocado pela prefeitura conhecido como desfavelamento. Detalhe: e o pagamento da propina foi feito parcelado.

De acordo com o relatório da PF, adquiriu um terreno no Jardim Novo Horizonte, onde no local seriam construídas casas populares. Do negócio, Artuzi cobrou R$ 80 mil de comissão.

“Posteriormente, em 5 de julho de 2010, houve nova conversa entre Passaia e Marcelo [secretário de Serviços Urbanos], onde combinam o pagamento dos R$ 80 mil. Valor que será repassado integralmente ao prefeito Ari Artuzi em três parcelas: a primeira e segunda no valor de R$ 30 mil e a terceira parcela de R$ 20 mil”.

O parcelamento, segundo o relatório do PF, foi cumprido conforme diálogo entre o ex-secretário de Governo e o ex-secretário de Serviços Públicos.

Ari Artuzi ainda não comentou as denúncias que a puseram na cadeia.

Jornal Midiamax