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À espera por obras, a centenária praça Ary Coelho, na Capital, segue abandonada

Parte mais tradicional no centro da cidade, praça está abandonada enquanto aguarda obras de revitalização anunciadas para começarem "até o final do ano", segundo a Prefeitura.

Arquivo Publicado em 24/10/2010, às 12h24

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Parte mais tradicional no centro da cidade, praça está abandonada enquanto aguarda obras de revitalização anunciadas para começarem “até o final do ano”, segundo a Prefeitura.

A Praça Ary Coelho, a mais tradicional da cidade, situada no coração de Campo Grande, está abandonada enquanto aguarda obras de revitalização anunciadas para começarem “até o final do ano” segundo a Prefeitura. É a única praça que tem 15 pontos de ônibus na cidade, distribuídos na avenida Afonso Pena, 13 de Maio e rua 14 de Julho.

Quem passa pelo local percebe nas paredes de pilares ali fincados os quadros com a história do primeiro cemitério do município. Aquele pedaço da cidade virou praça em 1909, há 101 anos e já teve seis personagens.

Depois de se chamar praça do cemitério, ficou conhecida por praça do Passeio Público, Jardim, Praça Municipal, Praça da Liberdade e, em 1953, mudou-se o nome da praça para doutor Ary Coelho, na época prefeito de Campo Grande assassinado em Cuiabá.

Coreto

Em 1922 foi construído o Coreto, dando lugar à fonte luminosa em 1957. Hoje não existe mais o coreto, foi substituída por um chafariz

Picolezeiros, vendedores ambulantes e fotógrafos, passam o dia na praça para ganhar o pão de cada dia.

“E uma área de lazer enorme, arborizada, mas o parquinho está feio, tudo estragado, deveria ser mais bonito, limpo e organizado. Tenho uma filha de seis anos que adora brincar, mas aqui não tem como. Quando chove a água do canteiro fica empossada, é até perigoso a proliferação da dengue”, comenta a vendedora de doces, Márcia dos santos, de 37 anos.

Casal

O casal Pedro Filho, de 70 anos e Inês Campos, de 74 anos, relembram a beleza da praça e comenta a diferença do coreto para um chafariz abandonado.

“Moramos em Campo Grande desde 1956. Essa praça era a mais bonita da cidade tinha um coreto lindo, era cercado de rosas vermelhas. Não tinha muitos bancos, mas os pouco que tinha era fortes e resistente a chuva. Hoje tem vários bancos que estão estragados, o parquinho tem brinquedos mas estão acabados, arrancaram o coreto e colocaram o chafariz que esta com água suja e cheio de sujeira. A praça inteira está cheia de lixo. E triste de ver é um local abandonado é um absurdo ver a sujerada. Deveria arrumar e a praça mais próximas das lojas do centro e as pessoas passam para sentar e descansar ou esperar o ônibus. A Ary Coelho tem 15 pontos de ônibus mais não tem beleza”.

Cemitério

Um município com o nome de Santo Antonio de Campo Grande, criado pela Lei nº 220 no dia 26 de agosto de 1899, recebeu a sua primeira planta de arruamento em 1909, executada por Nilo Javary Barém, com 400 lotes e reserva de espaço para três áreas públicas. Uma delas era o cemitério localizado na área da atual Praça Ary Coelho.

Por projeto dos vereadores Jose Marques da Fonseca e João Alves Pereira, o cemitério foi transferido para o inicio da avenida Bandeirantes e posteriormente, para onde hoje se encontra o Cemitério Santo Antonio, em área doada por Amando de Oliveira.

A praça então aqui localizada, recebeu o nome de Dois de Novembro, data da primeira eleição em Campo Grande. Depois foi conhecido por: Passeio Público, Jardim, Praça Municipal, Praça da Liberdade e, em 1950, Praça Doutor Ary Coelho.

Em 1922 , o intendente Arlindo de Andrade desenhou os canteiros, recobertos com grama verde e amarela, e locou as árvores do jardim. A primeira árvore a ser plantada foi uma palmeira.

A praça foi toda cercada com tela de arame grosso e portões em cada ângulo. Tinha ao centro um coreto com base de alvenaria e cúpula de madeira. Com um pequeno bar, que teve o nome de Pavilhão do Chá, Capelinha e Jardim Bar, transformado em Biblioteca Municipal pelo Prefeito Eduardo Olímpio Machado.

Ao poente, a pérgula que está ainda na versão original, era ornada de ramagens e trepadeiras floridas. As bandas de música do exército tocavam dobrados e valsas nas noites domingueiras, enchendo o ambiente de alegria. O jovens faziam o footing, as moças ficavam andando nas calçadas e os rapazes abaixo de meio fio, em sentido contrário.

Cunha das Flores impediu o Flores da Cunha

Em 1925 é inaugurado o busto de Pandiá Calógeras, em homenagem ao ministro que aqui instalou as forças armadas. A escultura foi feita por Rodolfo Bernardelli. Em 1930, o zelador de jardim chamava-se Cunha, apelidado “Cunha das Flores”. O local era destinado a comícios políticos.

Os oradores falavam do coreto. Quando o revolucionário gaúcho Flores da Cunha pretendeu fazer uma reunião aqui, o jardineiro se opôs e conseguiu do Prefeito Antonio Antero de Barros a sua proibição.

Dizia-se então que “o Cunha das flores impediu o Flores da Cunha” de promover o comício. No mesmo ano, o construtor Alexandre Tognini foi contratado para fazer o meio fio dos canteiros e pavimentar as ruas com pequenas pedras unidas chamadas pé de moleque. Vários tanques de águas com peixes e aves aquáticos alegravam o logradouro.

Ary Coelho

Em 1953, mudou-se o nome da praça para Ary Coelho, prefeito de Campo Grande assassinado em Cuiabá. Em sua homenagem esqueceu uma estátua de bronze com o prefeito de mãos erguidas. Algumas alegorias sobre as atividades do homenageado bordam as faces do pedestal, onde se apóia a inscrição: Por um regime de honestidade e trabalho, frase usada na campanha eleitoral do então candidato.

Coreto por uma fonte luminosa ou chafariz


Os velhos tanques que enfeitavam o jardim sofreram infiltrações e o Prefeito Carlos Hugueney Filho mandou aterra-los. Mais tarde foram restaurados, contudo continuaram vazios. Em 1957, o Prefeito Marcilio de Oliveira Lima substitui o coreto por uma fonte luminosa, construída pelo engenheiro Anees Salim Saad, também o executor da revitalização feita pelo prefeito Juvêncio César da Fonseca. Junto ao coreto demolido quatro ícones brancos de musas, representavam as estações do ano.


Na saída para a rua 15 de Novembro, tinha uma famosa estátua de um cão na rua 14 de julho, sentado sobre as patas traseiras. Todos esses ornamentos foram demolidos com o coreto.


A Câmara dos Vereadores, na sessão do dia 17 de julho de 1957, aprovou requerimento do vereador Pedro Luis de Souza, protestando contra essa demolição, com a moção de que Campo Grande, assistiu contristada à demolição do coreto da praça Doutor Ary Coelho, tão histórico quanto Campo Grande. Na década de 70 foi construído um playground na rua 13 de maio, com balanças, gangorras, barras e muita areia.


Mais mudanças

O prefeito Nelson Trad Filho lançou na véspera do último aniversário da cidade, em 25 de agosto, a abertura da licitação para mais uma revitalização da Praça Ary Coelho. Na época, anunciando o emprego de mais de R$ 1 milhão de recursos próprios da Prefeitura, foi garantido que as obras começariam “até o fim de 2010”.


“Vamos recuperar um dos mais importantes pontos da nossa cidade, do ponto de vista histórico e turístico. Vamos recuperar o chafariz, o espaço de convivência dos idosos e organizar banheiros químicos para evitar vandalismo”, prometeu o prefeito.


Segundo Nelsinho, as obras devem ficar prontas até o primeiro semestre de 2011. “A Praça vai receber grades e assim como em grandes cidades será fechada em determinado horário da noite para previnir a violência e efetuar a manutenção, como limpeza, para seu funcionamento no dia seguinte”, completou.

Jornal Midiamax