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ISTOÉ: FHC estaria articulando apoio a Lula no 2º turno

Sob o título “Saída pela esquerda”, a revita ISOTÉ publica matéria dando conta que o presidente FHC já estaria articulando apoio a Lula no segundo turno das eleições presidenciais, caso Serra não decole nas pesquisas e fique fora do páreo. Segundo a matéria, o PFL já reage a ação de FHC, e o senador Jorge […]

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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Sob o título “Saída pela esquerda”, a revita ISOTÉ publica matéria dando conta que o presidente FHC já estaria articulando apoio a Lula no segundo turno das eleições presidenciais, caso Serra não decole nas pesquisas e fique fora do páreo.

Segundo a matéria, o PFL já reage a ação de FHC, e o senador Jorge Bornhausen teria dito que Serra age como laranja do PT

Confirna na íntegra:

“APOSTA: As chances de José Serra ultrapassar Ciro Gomes dependem do horário eleitoral.

Em política não dá para perder tempo. Diante do fraco vôo do tucano José Serra até agora, o Palácio do Planalto começou a preparar o terreno para um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS). Os primeiros passos para viabilizar uma aproximação com os petistas já foram dados. O mais significativo deles partiu do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. Na segunda-feira 19, quando os quatro candidatos foram a Brasília para se inteirar sobre os termos do acordo firmado com o FMI, o presidente deixou claro na conversa que teve com o petista: se Serra não passar para o segundo turno, vai votar em Lula. E mais: prometeu ajudá-lo, liberando apoios tucanos por todo o País. O presidente não vai subir no palanque de Lula, mas poderá até anunciar publicamente seu voto.

O desalento que tomou conta do Planalto com o desempenho de Serra não significa, porém, que os governistas já jogaram a toalha. Para FHC, a data limite para o tucano demonstrar que pode decolar rumo ao segundo turno é 10 de setembro. A última esperança de Serra – empatado tecnicamente com Anthony Garotinho (PSB) – está depositada na propaganda eleitoral, que começou na terça-feira 20. Um dos fatores que levam os tucanos para os braços petistas é o fato de a candidatura Ciro estar respaldada pelo PFL de Antônio Carlos Magalhães. Uma idéia que começa a germinar nos bastidores é editar uma aliança de centro-esquerda com PT e PSDB e PMDB, no caso de vitória de Lula.

Os sinais de aproximação entre tucanos e petistas são cada vez mais frequentes. Além das conversas ao pé do ouvido entre lideranças dos dois partidos, as atitudes e declarações das duas maiores figuras do PT e do PSDB evidenciam a articulação política. FHC deu tratamento VIP a Lula no dia em que recebeu todos os candidatos em seu gabinete. O petista foi o único que teve dez minutos de conversa a sós com o presidente. Lula também tem exercitado toda a sua lábia diplomática para não implodir a ponte com os tucanos. Só faz críticas políticas ao governo. O eventual apoio de tucanos ligados a FHC a Lula no segundo turno é um movimento que precisa ser feito com muito cuidado, avaliam os petistas. Afinal, Lula não quer perder a bandeira de oposição para Ciro. A estratégia da campanha petista é mostrar Lula como responsável.

E foi essa a impressão que o petista passou nas duas horas de reunião com banqueiros, na sede da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), na terça-feira 20, em São Paulo. Ao lado do presidente da entidade, Gabriel Jorge Ferreira, na entrevista coletiva que concedeu após o encontro, Lula elogiou a atitude do presidente: “FHC agiu corretamente ao convocar os candidatos para uma conversa.” O petista foi o segundo presidenciável sabatinado pelos representantes dos bancos. O primeiro foi Ciro.

Um dos integrantes da Febraban que participou das duas reuniões foi taxativo: “Foi a melhor apresentação de Lula até hoje. Ele foi franco, sereno, ouviu as ponderações de todos com interesse e atenção. Demonstrou ser um homem de diálogo.” Este representante dos bancos contou que a reação a Ciro foi oposta. “Eu daria nota 4 para Ciro e 8 para Lula. Ciro é pavio curto. Ele passou uma sensação de instabilidade e imprevisibilidade, o que é muito ruim. Além do mais, não tem a solidez intelectual que pretende passar. Ele apenas tem boa verbalização.” O mercado ainda não deu como enterrada a candidatura Serra.

O prazo é mais curto do que o de FHC: 3 de setembro. “Se Serra não decolar até esta data, quando sai uma pesquisa Ibope, no dia 4 o mercado já vai trabalhar com o cenário de embate entre Lula e Ciro”, comentou o integrante da Febraban.

Sobre a perspectiva de FHC apoiá-lo na campanha, Lula foi mais uma vez diplomático, ao ser questionado durante debate organizado pelo jornal Folha de S.Paulo, do dia 12 de agosto. “Isso não depende da minha vontade. Depende da vontade dele enquanto eleitor.” Perguntado se chegaria ao ponto de pedir o voto do presidente, Lula disse que “por uma questão de respeito” não pediria. Ao ser questionado se FHC seria um bom eleitor, disse: “O presidente da República é sempre uma figura importante. Vamos esperar o segundo turno para conversar”, afirmou Lula.

Para o senador Roberto Freire (PE), presidente do PPS, a aproximação do Planalto com o PT faz parte do que chamou de Projeto Paulista. Segundo Freire, “PSDB e PT estão no mesmo barco. Não é à toa que o sindicalismo petista do ABC muitas vezes se juntou com as montadoras nacionais em acordos que prejudicaram o resto do povo brasileiro. Tucanos e petistas representam um mesmo projeto de país, que é o Projeto Paulista. Por isso acabarão juntos”, reagiu”.

Adriana Souza e Silva, Ana Carvalho e Florência Costa, revista ISTOÉ

Jornal Midiamax