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Promessa do Fla inventou lambreta invertida e virou ‘rei’ no Chipre

 O meia-atacante tropeçou nos obstáculos da juventude

Jessica Benitez Publicado em 10/06/2015, às 16h56

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 O meia-atacante tropeçou nos obstáculos da juventude

Vander nunca escondeu o sonho de jogar profissionalmente pelo Flamengo. Formado nas categorias de base do clube, o meia-atacante tropeçou nos obstáculos da juventude e teve o projeto interrompido antes do que esperava. Conhecido pela invenção de um drible curioso, o jogador tomou decisão delicada e alcançou o sucesso longe do Brasil. No Chipre, o carioca virou “rei”.

A história de Vander é parecida com a de milhões de jovens que buscam o estrelato no futebol. Ele jogou 13 anos na base rubro-negra. Era visto como uma das principais promessas do clube e ganhou projeção ao criar a lambreta invertida em 2004. O movimento consiste no tradicional drible, porém, com o autor de costas para o marcador.

A partir daquele momento, o garoto apareceu em programas de TV, jornais e ficou ainda mais conhecido na categoria. Mas as armadilhas da juventude e um elenco que contava com o Imperador Adriano impediram que tivesse oportunidade nos profissionais do Flamengo a partir de 2009.

“Sempre tive o Flamengo como meta e reconheço parte da minha culpa pela irresponsabilidade fora de campo. Gostava de coisas diferentes e batia de frente com as pessoas. Precisei passar por isso. Aprendi com a dor, pois é preciso ser profissional. Não era um atleta, o Flamengo vivia boa fase com o Adriano e o Vagner Love ainda chegou um tempo depois. Meu sonho esbarrou em tudo isso”, afirmou.

O jovem deixou o Rubro-negro e foi emprestado para clubes de menor expressão. Em 2012, tomou a decisão de tentar carreira no exterior e desembarcou no Botev Plovdiv, da Bulgária. De lá, mudou-se para o Chipre e virou destaque do AEK Larnaca. Com Vander, o modesto time foi vice-campeão cipriota. O brasileiro terminou a competição eleito o melhor ponta direita e melhor estrangeiro. O suficiente para garantir um contrato de três anos com o Apoel, o atual campeão do país.

“Parei no Chipre com dois dias para fechar a janela de transferências. Não fui para uma equipe grande, mas o trabalho nos nove meses me colocou no Apoel, o maior time do país e que recentemente chegou nas fases decisivas da Liga dos Campeões. Vejo esse patamar na carreira com muita alegria, já que realizarei o sonho de disputar a competição que conhecia apenas pelo videogame”, contou.

No Chipre, o carioca de 26 anos tem a vida que sonhou ainda na base do Flamengo. Ao lado da mulher Caroline e dos filhos Matheus e Enzo, ele é reconhecido pelos fãs e aproveita as férias antes de apresentar-se ao Apoel no dia 18 de junho, quando o time inicia a preparação para a fase preliminar da Liga dos Campeões.

“O pessoal respeita muito. A torcida reconhece, mas é um assédio diferente do Brasil. Entrei para a história do AEK Larnaca por conta de o clube nunca ter chegado tão longe. Conquistei muita coisa no país em pouco tempo. Os estádios são pequenos, mas estão sempre cheios. A torcida do Apoel, principalmente, comparece muito”, comentou.

A vida pregou uma peça em Vander com a trajetória bem diferente da imaginada. Mas se engana quem pensa que o sonho de menino ficou para trás. O Flamengo ainda é um objetivo da sensação brasileira no Chipre.

“Tenho o sonho de voltar ao Flamengo. Isso faz parte dos meus planos. Se essa oportunidade aparecer no futuro, voltarei para jogar. Mas quero estabilizar a minha carreira no momento e escrever história no Chipre”, encerrou.

Jornal Midiamax