Taxas avançam com escalada das tensões geopolíticas e de olho em Campos Neto

No fim da sessão regular, as principais taxas estavam nas máximas do dia
| 12/02/2022
- 04:39
Agência Brasil
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Os juros futuros tiveram uma sexta-feira de alta, com as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e aumento da cautela no exterior. A fala de Campos Neto reforçou o tom conservador da ata do Copom e do diretor de Política Econômica, Bruno Serra, esta semana, sobre o esforço para colocar a inflação de volta às metas. O avanço das taxas se consolidou na última hora da sessão regular com informações de que a Rússia estaria na iminência de invadir a Ucrânia, o que elevou a aversão ao risco geopolítico.

No fim da sessão regular, as principais taxas estavam nas máximas do dia. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,475%, de 12,358% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025, em 11,44%, de 11,326%. O DI para janeiro de 2027 encerrou a regular com taxa de 11,355%, ante 11,301%. Na sessão estendida, as taxas estavam, respectivamente, em 12,43%, 11,375% e 11,305%.

Os juros passaram boa parte da sessão descolados do bom desempenho dos demais ativos domésticos, com as taxas resistindo em ceder. Pela manhã, até houve uma tentativa, na ponta curta, de correção da alta registrada nos últimos dias, mas que não conseguiu prosperar, tantos são os alertas sobre a necessidade de se apertar juros, não só no Brasil, para conter a onda inflacionária.

Para o operador de renda fixa da Nova Futura Investimentos André Alírio, o risco de um ciclo de avanço mais intenso, tanto pelo orçamento quanto pela extensão, de alta de juros nos tem dado combustível para o aumento de prêmios da curva doméstica até os vértices de médio prazo. "O ponto que ficou em aberto na ata do Copom foi justamente como seriam os ciclos lá fora", destacou.

No entanto, mesmo com as apostas mais agressivas para os fed funds, alguns analistas acreditam que o diferencial de taxas vai continuar beneficiando a renda fixa doméstica, na medida em que a vai subir além dos 12%. No entanto, com a piora da crise entre a Rússia e a Ucrânia, o quadro para commodities e para o câmbio fica mais nublado e resta saber qual será o impacto efetivo nos ativos. A Casa Branca disse ter informações de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pretende invadir a Ucrânia antes do fim das Olimpíadas de Inverno.

No Brasil, a sexta-feira teve na agenda de indicadores apenas o IBC-Br, que subiu 0,30% em dezembro na margem, menos do que a mediana das estimativas de 0,60%, mas não chegou a afetar a curva. A grande expectativa era pela fala de Campos Neto. Ele reforçou a disposição do BC em "usar todas as ferramentas" para trazer a inflação para a meta e que "medidas sobre preços de curto prazo não têm efeito estrutural sobre a inflação", numa alusão à PEC dos Combustíveis. Rechaçou ainda a ideia de que a inflação global é de oferta. "Quem acreditou que inflação era um tema de oferta está revendo os conceitos", disse, em participação no evento da Esfera Brasil. "Não dá para dizer que houve queda de produção, claramente problema é de demanda", disse, sobre os dados de crescimento de produtos que estão em situação de gargalo.

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