MS segue tendência do Brasil e deve sofrer com inflação em dois dígitos por mais dois anos

Brasil está com caminho econômico complicado para o futuro em curto prazo e situação mundial não é diferente
| 05/06/2022
- 08:57
Brasil
Centro de Campo Grande. Foto: Arquivo Midiamax

O deve sofrer com a inflação acima de 10% este ano e em 2023. Pelo menos é este o pensamento do doutorando em administração Leandro Tortosa, que, apesar de são ser economista, ele tem a CEA (Certificação de Especialista em Investimento) da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e, por isso, pode “apitar” no cenário econômico. Apesar do cenário desanimador, ele afirma que o Brasil não tem risco de sofrer com hiperinflação.

A diferença de hoje para o fim dos anos 1980 e início de 1990 é que o Brasil não tem dívida externa, não deve em e a dívida interna – entre municípios e Estados com a União – apesar de existir, já está parcelada e vem sendo paga. “Com essas duas questões controladas, as chances de inflação ficam mais contidas. Além disso, o Brasil tem uma reserva cambial de mais US$ 350 bilhões e isso, de certa forma, blinda o país”, relata.

Em 1994, durante o início do Plano Real, o Brasil se organizou do ponto de vista macroeconômico desde os mínimos detalhes, ao começar pela implantação da URV (Unidade Real de Valor), um indexador que foi utilizado entre fevereiro e maio - pouco antes da implantação da moeda. Desta forma, um produto valia “X URVs”. O “X” não se alterava e o que mudava era o valor URV. Com isso, o ímpeto de sair remarcando preços foi desfeito e as pessoas se acostumaram e ver o produto com o mesmo "valor numérico" por mais tempo.

Na sequência, de acordo com Leandro Tortosa, o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante, com o Banco Central comprando e vendendo títulos, estabeleceu o regime de metas inflacionárias e pôs em prática LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Isso tudo afasta o risco de hisperinflação. “Agora, o Brasil está aumentando a taxa de juros para inibir o consumo e, como consequência, baixar a inflação. Precisa fazer superávit no orçamento público e conter os gastos públicos. Precisa haver mais transparência nos gastos públicos, de todos os poderes”, analisou Tortosa.

Outros fatores externos têm atrapalhado o Brasil, com destaque para a alta de preço do barril de petróleo, a guerra entre Rússia e Ucrânia e alta de 150% dos fertilizantes. No entanto, no cenário interno, Leandro Tortosa afirma que todos os poderes estão gastando muito, ainda que os gastos estejam previstos em Lei. Quem tiver o seu emprego, por favor segure-o. Quem puder ter mais um emprego, será muito bom. O importante é fazer uma renda extra e economizar, detalhou Tortosa.

Hiperinflação é temida por comerciantes

O presidente CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Campo Grande, Adelaido Vila, destacou que a inflação não apenas interfere no poder de compra do consumidor, mas impede o empresário de fazer o estoque. Adelaido Vila revela que o consumidor não tem ido às compras porque precisa garantir a alimentação. “Já os bancos estão emprestando para quem pode investir. O problema é que há muitos empresários que precisam pagar as contas para poder investir”, disse Adelaido Vila, que não acredita na volta da hiperinflação, mas confirma que pelo menos este ano será maior que 10%

No centro de Campo Grande, o comerciante Odenil Vilagra, 69, preferia que o cenário inflacionário não voltasse, porque vai obrigar as pessoas a andarem com dinheiro no bolso para gastar logo. “O mundo mudou e está mais perigoso. Naquela época havia menos assalto”, recorda. Para a comerciante Maria Zuleide Conceição, 60, a economia é cíclica e o momento agora é ruim. “O problema é que está tão complicado que a fome está aumentando e isso não é nada bom. Estamos empobrecendo”, crê. Já o comerciante Antônio Pereira, 65, vai direto ao ponto: “essa política de governo não está dando certo. Voltou a inflação, o desemprego está demorando a diminuir e o Brasil só cresce 1%. Tem que mudar”, avisa.  

Veja também

Folha de pagamento soma R$ 208.899.358,08 para 83 mil funcionários públicos

Últimas notícias