Cotidiano / Economia

Opção de grana extra, consignado deve ser usado com cautela para não entrar em 'bola de neve'

Com aumento da margem para 40%, especialista faz alerta

Gabriel Maymone Publicado em 11/04/2021, às 14h30

Consignado deve ser evitado para comprar bens de consumo
Consignado deve ser evitado para comprar bens de consumo - Divulgação

Começou a valer a nova margem de 40% para empréstimo consignado em todo o país. Apesar da atratividade em conseguir uma grana extra, especialistas avaliam que é necessário ter planejamento e avaliar se vale a pena comprometer parte do rendimento mensal, já que as parcelas são descontadas diretamente da folha do servidor.

A economista e planejadora de finanças pessoais, Andreia Saragoça, explica que a pessoa precisa entender que é uma dívida de longo prazo que compromete a renda futura. "Precisa colocar isso numa pilha de orçamento e entender que naquele período não vei ter aquele dinheiro", orienta.

Portanto, a palavra de ordem antes de solicitar o empréstimo consignado e evitar se 'enrolar' com dívidas é: planejamento. "Há necessidade de se programar para fazer esse empréstimo e, principalmente, não fazer empréstimo para consumo de bens em geral, por exemplo, comprar uma geladeira. Eu indicaria, por exemplo, se você quiser fazer uma reforma em sua casa", orientou.

Por fim, a especialista alerta para os perigos das compras por impulso. "A gente observa comportamento  das pessoas e verifica que fazem muitas compras por impulso, que é o emocional. Sempre falamos da racionalização das decisões. O culpado sempre é o empregador, mas a decisão foi da pessoa que tomou lá atrás e está impactando seu salário hoje. Isso é comprometer a renda que nem recebeu ainda", observa.

Troca de juros

Outra substituição interessante que o cliente de empréstimo consignado pode fazer é usar a modalidade, que tem taxa em torno de 1,8%, para abater numa dívida de cheque especial ou de cartão de crédito, por exemplo, em que a taxa de juros podem chegar a 10% e 20%. 

Por isso, usado de maneira saudável, a ampliação do crédito pode reduzir o endividamento e tranquilizar as famílias neste momento de crise. No entanto, se o solicitante pensar nestes 5% como um meio de sacar mais dinheiro e elevar os gastos, pode acabar dando um tiro no pé com a acumulação de dívidas.

Bola de neve

Para evitar que as despesas não se tornem uma “bola de neve”, o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN), Reinaldo Domingos, analisou que algumas medidas devem ser adotadas pelo solicitante do empréstimo.

"Quem considera tomar o crédito precisa analisar se o valor debitado em parcelas não fará falta para os compromissos essenciais mensais”, disse Reinaldo, completando que "o consignado não deve fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado. O seu uso precisa acontecer de forma pontual e ter objetivos relevantes”, concluiu.

Jornal Midiamax