Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisa fortes – acabou exibindo leve queda, embora ainda acima dos 96,000 pontos. Em relação a moedas emergentes de exportadores de commodities, o comportamento foi misto.

Além da perspectiva de redução da liquidez global, pesa também contra a moeda brasileira neste fim de ano a pressão por remessas de divisas e resquício da demanda ligada ao overhedge dos bancos, apesar das atuações do . Hoje, como programado, o BC vendeu US$ 750 milhões em contratos de swap cambial tradicional para rolagem dos vencimentos programados para fevereiro.

A surpresa veio com a realização, no fim da manhã, de um leilão de oferta de dólares à vista, que resultou em venda de US$ 687 milhões, com taxa de corte de R$ 5,880. A última vez que o BC havia vendido dólar spot havia sido em 19 de outubro.

Nas mesas de operação, comenta-se que houve demanda forte por players específicos e que o BC, seguindo sua cartilha, proveu liquidez para evitar a disfuncionalidade no mercado cambial. O fato é que a ação do BC ajudou a arrefecer a alta da moeda americana, que pouco antes havia corrido até a casa de R$ 5,63, ao registrar máxima a R$ 5,6355 (+1,11).

Ao longo da tarde, o dólar até chegou a furar novamente o piso de R$ 5,60, mas recuperou fôlego e no fim do dia era cotado a R$ 5,6140, em alta de 0,72%. Apesar de ter avançado ontem e hoje, a moeda encerra esta semana com desvalorização de 1,16%, atribuída em parte à diminuição do risco fiscal, após a aprovação parcial da dos Precatórios. No acumulado do mês, o dólar também cede, mas em menor magnitude (0,38%).

“Houve um fluxo de saída forte no mercado local que acabou pesando na moeda em um dia de liquidez relativamente comprometida”, afirma o líder de renda fixa e produtos de câmbio da Venice, André Rolha, ressaltando que a pressão de alta foi “relativamente controlada” pela intervenção do Banco Central com venda de dólares à vista. “O real teve a pior performance entre os emergentes em função não só do cenário externo, mas muito em razão de fluxo de saída. E sexta-feira é um dia típico de busca de proteção, com compra de mais dólares”.

Em relatório divulgado hoje, o Bradesco vê o real pressionado ao longo do próximo ano, por conta das eleições presidenciais e do provável aperto monetário nos Estados Unidos. “A alta de juros do Fed deve manter a moeda pressionada, mesmo em um ambiente de maior diferencial de juros a favor do Brasil”, afirma o Bradesco, que prevê dólar a R$ 5,70 no fim de 2022.

 

 

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