Cotidiano / Economia

Comerciantes comemoram fim do toque de recolher em MS, mas especialista alerta para risco

Entidades do setor esperam melhora no faturamento e novos empregos; infectologista explica sobre os riscos para a variante Delta

Mylena Rocha Publicado em 17/08/2021, às 13h20

Toque de recolher chega ao fim, mas restrição para ocupação nos estabelecimentos continua.
Toque de recolher chega ao fim, mas restrição para ocupação nos estabelecimentos continua. - Ilustrativa/Pixabay

Depois de quase um ano e meio de pandemia, o toque de recolher chega ao fim na próxima semana em Mato Grosso do Sul. A medida foi divulgada pelo Governo do Estado, nesta terça-feira (17), e é comemorada pelos comerciantes, principalmente aqueles que atuam no período noturno, como bares e restaurantes. Por outro lado, infectologista alerta que ainda não era hora de ‘afrouxar’ as medidas. 

Mato Grosso do Sul anunciou o fim do toque de recolher a partir da próxima segunda-feira (23). A decisão leva em conta o avanço da vacinação contra o coronavírus. A partir da semana que vem, só a lotação dos estabelecimentos segue de acordo com as bandeiras indicadas pelo Prosseguir (Programa Saúde e Segurança na Economia), programa do Governo do Estado que orienta medidas restritivas a serem definidas pelos municípios.

O setor de bares e restaurantes comemora o fim do toque de recolher. O presidente da Abrasel-MS, Juliano Wertheimer, explica que a decisão foi tomada com responsabilidade e depois de muito diálogo dos comerciantes com as autoridades. 

“Nosso setor foi o mais prejudicado, principalmente pela restrição de horário. Conseguiremos fazer uma retomada robusta, trazendo de volta vagas de trabalho que foram perdidas na pandemia, recuperando faturamento, irrigando cadeia produtiva, trazendo vida para cidades”, reforçou.

O presidente da associação de bares e restaurantes afirma que a expectativa é positiva para o segundo semestre. “Esperamos um segundo semestre positivo, mas sem esquecer dos protocolos de biossegurança, respeitando o distanciamento e a ocupação conforme bandeira do Prosseguir”, disse Wertheimer. 

O presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Renato Paniago, ressalta que a associação sempre foi contra a medida de toque de recolher. Para Paniago, a restrição não era eficiente para conter o contágio do coronavírus e prejudicava as empresas. “Com a extinção dessa medida, setores como bares, restaurantes e eventos poderão voltar às suas atividades, manter negócios, retomar postos de trabalho e colaborar para geração de emprego e renda em MS”, disse. 

O presidente da entidade afirma que os comerciantes estarão atentos às medidas de biossegurança. “[Estamos] preocupados e mantendo protocolos. Os comércios, as empresas estão fazendo sua parte para que esse contágio não ocorra nas empresas e a gente possa vencer a pandemia”.

Infectologista alerta para riscos

Apesar do avanço da vacinação, a pandemia ainda não acabou e o fim do toque de recolher pode oferecer riscos à posição ‘confortável’ que Mato Grosso do Sul conquistou no último mês. Conforme dados do Vacinômetro, MS tem 88% dos adultos vacinados com ao menos uma dose e 51% imunizados, ou seja, com o esquema vacinal completo. 

O infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Julio Croda, alerta que ainda não é hora de acabar com o toque de recolher. O especialista defende que seria preciso chegar a pelo menos 80% totalmente imunizados, principalmente considerando o contexto da variante Delta, que é mais transmissível e está presente em estados vizinhos a MS. 

“Acho que poderia esperar mais um pouco até atingir níveis maiores de cobertura de segunda dose, ainda estamos abaixo de 60%”, disse. 

Para Croda, a variante Delta é uma ameaça e seria preciso atingir 90% dos adultos completamente imunizados para considerar que atingimos a chamada imunidade coletiva. 

Jornal Midiamax