Cotidiano / Economia

Fora de investigação, frigorífico que serviu Blairo sentiu efeitos negativos

Carne é de empresa de Rochedo

Tatiana Marin Publicado em 30/03/2017, às 20h51

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Carne é de empresa de Rochedo

A carne servida a Blairo Maggi durante o almoço desta quinta-feira (30) na churrascaria Bezerro de Ouro, em Campo Grande, veio de perto. De Rochedo, município 81 quilômetros distante da capital, onde fica a matriz do frigorífico Naturafrig, fornecedor de carne do restaurante. O proprietário da empresa, Sérgio Capuci, ficou surpreso ao saber do fato e conta que pecuaristas estão cautelosos.

Apesar de a empresa não estar entre as investigadas, o empresário diz que a repercussão da Operação Carne fraca afetou todo o setor, “do grande, que sentiu mais, ao pequeno” e fala que o pecuarista aguarda o desenrolar dos fatos com reserva. “O fazendeiro está meio cauteloso. Ele não está com pressa de vender seu rebanho. Está segurando até o mercado normalizar”, observa.

Segundo ele, desde a divulgação das informações da operação, houve uma diminuição do consumo, ao passo que o abate também diminuiu,  o que está garantindo um equilíbrio de mercado. “Se houver uma corrida dos fazendeiros para entregar o rebanho, vai haver desequilíbrio”, explica. O frigorífico compra bois de pecuaristas que estão em um raio de 300 km da unidade.

O empresário afirma que o fato de a JBS ter interrompido o abate em 5 plantas no estado, na semana passada, não reverteu a produção para os outros frigoríficos. “Não é o que estamos percebendo. Nos primeiros dias após a Operação, observamos uma diminuição de 15 a 20% no número de cabeças abatidas”, relata.

“Mato Grosso do Sul tem um rebanho excelente. Os padrões de qualidade dos frigoríficos são iguais. Obedecemos às normas do Ministério da Agricultura. Então não é melhor, nem pior. O JBS está sofrendo mais porque, pelo tamanho deles, estavam em evidência."

"Todo setor da carne, sentiu a repercussão da operação. Desde o maior, que sofreu mais, ao menor. Se os exportadores, que foram os que mais sentiram, focarem no mercado interno, vai prejudicar os que já trabalhavam no mercado interno”, conclui.

Para o empresário, a carne do Brasil é excelente e o produto do estado é “um dos melhores, senão o melhor, do Brasil. O Brasil tem uma qualidade muito boa. Nosso serviço de inspeção é muito bom. A indústria percebeu que tem de manter um controle de qualidade, pois só tem a ganhar com isso”, observa Capuci.

O almoço

Com lugares reservados, cerca de 60 pessoas almoçaram na companhia do ministro Blairo Maggi, que veio a Campo Grande para a inauguração do Laboratório Multiusuário de Biossegurança para a Pecuária (Biopec) da Embrapa Gado de Corte.

De acordo com o gerente da churrascaria Bezerro de Ouro, Roberto Carlos Piovesani, os cortes tradicionais, como picanha, foram oferecidos ao ministro e comitiva. “O movimento foi um pouco maior que o de uma quinta-feira normal, mas sempre estamos preparados com uma reserva de carne”, explica

Antes do almoço, o ministro deu ênfase a qualidade da carne sul-mato-grossense, que de acordo com ele, “é de excelente qualidade”. Blairo, que é do Estado de Mato Grosso, ainda brincou. “Vamos ver se a carne daqui é melhor que a de Cuiabá”, declarou.

Jornal Midiamax