Cotidiano / Economia

Você sabe o que pode mudar no seu bolso com a troca de presidente?

Entenda o que o mercado espera da política

Midiamax Publicado em 11/05/2016, às 12h42

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Entenda o que o mercado espera da política

Roupa, comida, entretenimento e muitas outras coisas poderiam ser citadas para falar da importância do dinheiro na vida das pessoas. Alguns costumam dizer que o dinheiro não é tudo e não traz felicidade, mas poucos ou quase nenhum poderiam dizer que podem viver sem ele.

Além da guerra política e das denúncias de corrupção, que já não são novidade, a maior justificativa, é a crise econômica, que geralmente assusta e baliza governos. Hoje ela é assunto em várias rodas de conversa.

Diante do cenário, você sabe o que a política tem a ver com a crise econômica? Ou o que vai mudar na sua vida financeira se cair Dilma Rousseff (PT) e entrar Michel Temer (PMDB) ou em uma possível nova eleição? É isso que a reportagem tentou entender com o economista Thales de Campos, presidente do Conselho Estadual de Economia de Mato Grosso do Sul.

“É um processo que envolve três grandes pilares: Um é o consumidor, que é a sociedade, família. Outro pilar chama-se empreendimento, que é o Capital. Há um terceiro pilar que é o Governo, responsável por organizar, fiscalizar, controlar e oferecer a segurança. Hoje o que está mais destruído é justamente o governo, que faz as leis: Executivo, Legislativo e Judiciário”, explicou.

O economista já fez um estudo sobre planos econômicos e relata que o País já mudou pelo menos dez vezes e todas com o mesmo intuito: dar credibilidade ao processo econômico brasileiro frente ao mundo. É justamente aí, segundo o economista, que está o problema do Brasil hoje.

“O governo não tem mais credibilidade. Todos investidores querem o mínimo de risco e o máximo de credibilidade. Nós estamos ao contrário: com o máximo de risco e o mínimo de credibilidade. O atual governo produziu muitas mentiras para se colocar no poder e com isso perdeu credibilidade. Os investidores se recolheram”, analisou.

O economista pondera que o cenário não deve mudar do dia para a noite em hipótese alguma, visto que é preciso mudar algo difícil de conquistar: “Com a credibilidade começa o crescimento, que gera quantidade. Neste caso há uma diferença entre crescimento, que está na quantidade de venda, investimento, e no desenvolvimento, que é qualitativo. Quando você desenvolve o País, você tem consistência e sempre há crescimento quando se tem desenvolvimento. Por exemplo: um bairro pode crescer sem asfalto, esgoto, rua, sem nada. Tentaram fazer o País crescer quando todo mundo estava em recessão. Fomos enganados em 2008 quando disseram que a crise era marolinha, quando o mundo inteiro estava em recessão profunda. Nós enfrentamos um tsunami e não uma marolinha”, criticou.

O economista afirma que não faria investimento no País hoje e ficaria esperando principalmente uma decisão política. Ele relata como entrave o rebaixamento da nota do Brasil, que acaba reduzindo o interesse de grandes investidores, capazes de modificar o Produto Interno Bruto, hoje negativo.

“A hora que o governo começar a ter credibilidade, que é um dos tripés, quem tem o Capital começa a planejar seus investimentos e tem a necessidade do outro pilar, que é o trabalhador. Este, saindo da ociosidade, começa a ter capacidade de pagar suas contas em dia. Já o governo tem obrigação de administrar e fiscalizar. Um é consequência do outro. Quando o País está em crise, aumenta-se o custo das coisas ou o empresário acaba vendendo seu produto abaixo do que adquiriu e pior do que isso: as pessoas passam a não ter nem para vender e nem para comprar”, exemplificou.

Na avaliação do presidente do Conselho, a diferença está na politicagem, que inverte o papel da política. “A política é a arte de bem administrar povos e no Brasil o que se faz é politicagem, que é a arte de bem roubar povos. O que houve no País foi um total erro de planejamento econômico, incluindo a mentira. Quando você fala que pode pagar R$ 50 e só tem R$ 100 no bolso é engodo. Todos os setores estão comprometidos”, observou.

Thales entende que o maior erro do governo foi baixar os serviços (conta de luz, por exemplo) que não poderiam ter baixado. “Tinha que ter feito reajuste em várias taxas, que não fizeram e principalmente uma reforma administrativa. A carga tributária do País é uma das maiores do mundo e temos uma máquina muito pesada. O País precisa diminuir o tamanho do setor público, que está muito grande e ineficiente”, reclamou.

Um exemplo, segundo o economista, está nos principais setores do País, que são saúde, educação e segurança. “Hoje a sociedade não tem de qualidade e, por não ter, tem que comprar estes serviços, que acabam ficando caro”, exemplificou. Em relação a empresas, o problema estaria, segundo Thales, nos encargos sociais, que acabam prejudicando este sistema, que é afetado pela política atual. Indagado se iniciaria algum empreendimento hoje, o economista foi categórico em afirmar que não. Ele aguardaria uma definição deste cenário político e resgate da credibilidade do País.

Jornal Midiamax