Cotidiano / Economia

Saída do Reino Unido da União Europeia poderia afetar economia brasileira

Especialistas avaliam possíveis impactos

Norberto Liberator Publicado em 22/06/2016, às 13h30

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Especialistas avaliam possíveis impactos

O referendo que ocorre na próxima quinta-feira (23) no Reino Unido sobre a permanência ou não do país na União Europeia tem gerado inúmeras discussões em todo o mundo, inclusive no Brasil. O portal nacional da agência francesa RFI traçou um panorama das expectativas pró e contra o Brexit (saída britânica do bloco europeu).

A reportagem mostra que o Reino Unido é o 15º destino das exportações do Brasil, ou seja, 1,53% das vendas nacionais no exterior. Deste modo, a relação entre os dois países não representa grande impacto na economia, mas um Brexit faria com que o País ficasse “à mercê das turbulências internacionais que são esperadas no caso de vitória”.

Wilber Colmerauër, presidente da consultoria de investimentos Emerging Markets Funding em Londres, disse em entrevista à agência que, como ninguém pode ter certeza do que aconteceria com a retirada do Reino Unido, a saída geraria um ‘clima de incertezas que não ajuda o Brasil’. Ele avalia que “o maior efeito no Brasil seria os outros mercados ficarem nervosos”.

Discordâncias sobre agricultura

O setor da agricultura, que costuma ser bloqueado pela União Europeia, poderia ser beneficiado por poder flexibilizar o comércio com os investidores britânicos. O setor de carnes, que encontra resistências no bloco, poderia encontrar maior facilidade para penetrar no mercado britânico, já que o governo Cameron é mais aberto do que outros países da UE, que contribuem atualmente para barrar exportações.

No entanto, Colmerauër aponta que o Reino Unido já se articula para que, caso ocorra o Brexit, beneficie países membro da Commonwealth, a comunidade que reúne colônias e ex-colônias ainda ligadas econômica e politicamente a Londres. Assim, Cameron já estaria negociando  principalmente com países caribenhos para exportar matéria-prima, o que desmentiria a ideia de que a agricultura brasileira seria beneficiada.

Francisco Itzaina, vice-presidente da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil, afirma que o Brasil não se enquadra no tipo de exportação que interessa ao Reino Unido. “Os produtos que o Brasil mais exporta são brutos, como a soja, que é um perfil agropecuário diferente da necessidade britânica”, aponta.

Jornal Midiamax